Como perder barriga de vez (sem se matar a fazer exercício)

Sim, pode ir já a correr para o ginásio fazer abdominais como se não houvesse amanhã. Ou então adotar estes hábitos simples, saudáveis e eficazes na difícil tarefa de nos dar a barriga com que sempre sonhámos.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

NÃO SALTE REFEIÇÕES

Fraqueza no corpo nunca foi boa conselheira, avisa desde logo a nutricionista Rita Rocha de Macedo, para quem saltar refeições é «estar mais de três horas sem comer». Se lhe parece um contrassenso quando o objetivo é perder barriga, saiba que os especialistas defendem ser esta a forma mais segura de chegarmos à refeição seguinte sem vontade de devorar a primeira coisa que nos aparece à frente, em maiores quantidades do que aquelas de que necessitamos e quase sem mastigar. O que nos leva ao tópico seguinte.

DÊ-SE TEMPO

Quantas vezes saiu da mesa já sem memória do que acabou de levar à boca, tal a pressa que tinha em terminar? Comer mais devagar do que o habitual, atentos ao que temos no prato, mastigando bem os alimentos – eis outra regra de ouro para uma barriga perfeita. E isto porque, além de darmos ao cérebro tempo para receber a mensagem de que estamos saciados, saboreamos efetivamente a refeição e educamos o estômago a satisfazer-se com menos. É o assunto do próximo ponto.

ATENÇÃO ÀS PORÇÕES

Diabolizamos o pão e as massas, acusamo-los de causarem inchaço abdominal, porém a culpa, na maioria das vezes, é das quantidades copiosas que pomos no prato e nos levam a comer mais do que a conta. «Sopa no início das refeições principais ajuda bastante, pois é rica em fibra, pelo que sacia», indica a nutricionista Rita Rocha de Macedo. Outro truque é usar copos, pratos e tigelas mais pequenos – a ilusão ótica de Delboeuf faz o nosso cérebro acreditar que as quantidades ingeridas são maiores assim. É uma verdade que os olhos também comem.

EQUILIBRE O PRATO

Porque falávamos deles ainda agora, começamos por dizer que os hidratos de carbono sustentam a perda de peso saudável, sobretudo se forem integrais, ricos em fibra (o organismo gasta quase o dobro da energia a digeri-los) e não excederem um punho por refeição. Combine com proteína magra e verduras diuréticas (acelga, tomate, cebola, pepino). Azeite, azeitonas e abacate têm um efeito saciante e são ricos em gorduras monoinsaturadas, pelo que ajudam a perder gordura abdominal se consumidos com moderação. Tenha ainda em casa frutos vermelhos e cítricos (morangos, framboesas, toranjas, limões) e peixe rico em ómega 3 (atum, salmão, bonito), que controla a gordura armazenada e a tentação de petiscar a desoras.

INFUSÕES DE MENTA

Segundo apuraram investigadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, a hortelã atenua os sintomas decorrentes da síndrome do intestino irritável ao ativar uma espécie de mecanismo antidor no cólon, aliviar a dor inflamatória no trato gastrointestinal e facilitar o relaxamento dos músculos abdominais. Como se tudo isto não bastasse, o mentol contribui também para reduzir estados febris e inflamações associadas, fortalecer o sistema imunológico, atacar a tosse e o nariz entupido, favorecer a digestão, diminuir o apetite e tornar o hálito mais apetecível.

MUITA ÁGUA

Parece que estamos constantemente a ouvir as mesmas coisas, mas agora é a revista Obesity que o diz: para emagrecer basta beber meio litro de água um quarto de hora antes de cada refeição, sem necessidade de mudar os hábitos alimentares ou fazer mais exercício do que aquele a que estamos acostumados. Os resultados revelaram que quem o fazia perdia uma média de quatro quilos em 12 semanas. «Beba logo um copo de água morna de manhã, em jejum, e outro a cada refeição», sugere Rita Rocha de Macedo. De dia, é trazer uma garrafa de meio litro consigo – pode experimentar aromatizar de forma natural com limão, pepino, gengibre, hortelã, canela. «Depois do jantar beba um chá ou infusão, sempre sem açúcar», acrescenta a nutricionista.

PROBIÓTICOS

São bactérias benéficas que ajudam a manter o equilíbrio (muito frágil) da fauna e flora intestinal, ao facilitarem a digestão, a absorção de nutrientes e a redução do inchaço abdominal. Encontra-os no leite fermentado, nos iogurtes naturais (ótimos a fortalecer os sistemas digestivo e imunológico), no kefir (fermentado com levedura e bactérias e parecido com o iogurte, mas com mais probióticos) e na kombucha (bebida fermentada feita a partir do chá preto).

PREBIÓTICOS

É outro palavrão para referir as fibras não digeríveis que servem de alimento às bactérias boas do intestino (os tais probióticos) e favorecem a proliferação da flora intestinal. Resumindo e baralhando: tenha sempre à mão frutas e legumes variados, entre os quais alho, chicória, cebola, alho-francês, alcachofra, lentilhas, espargos, bananas e maçãs. Outros alimentos que ajudam são o farelo de trigo, a linhaça, a cevada, a aveia e o tofu, de figurar em qualquer despensa digna desse nome.

GUERRA AO STRESS

Ainda não é claro para os cientistas como é que alterações no sistema digestivo causam alterações no cérebro e vice-versa, mas somos cada vez mais angustiados, deprimidos, com problemas de peso e sono (nenhuma dúvida quanto a isso) e tal deve-se, em larga medida, a um mau funcionamento do intestino, o nosso segundo cérebro. Nervos à flor da pele aumentam a vontade de comer alimentos ricos em açúcar e gorduras, impedindo de quebrar esta espiral viciosa que não faz bem a ninguém.

SAL E AÇÚCAR

É mantê-los longe. Excesso de sal – não mais do que os 5 gramas diários recomendados pela Organização Mundial de Saúde – provoca retenção de líquidos e a sensação de intestino pesado, enquanto o açúcar se transforma em gordura e promove inflamações nas células e desequilíbrios orgânicos no metabolismo. Nada que nos faça doer a cabeça, contudo, já que temperar com especiarias corta a necessidade de se carregar no sal, além de podermos contar sempre com um quadradinho amigo de chocolate amargo ou com 70 por cento de cacau.