Piolhos: o que são, os mitos, como se combate e como mantê-los longe

Piolhos: o que são, os mitos, como se combate e como mantê-los longe
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As crianças apanham-nos com facilidade, infestam-se umas às outras, levam os piolhos para casa e, de repente, os pais veem-se a braços com um problema de deixar qualquer pessoa de cabelos em pé, incluindo eles próprios. Se não quiser começar já com comichões, o melhor é não ler este artigo.

Texto de Ana Pago

O QUE SÃO

Existem vários tipos de piolhos, começa logo por esclarecer Mónica Cró Braz, pediatra do Hospital CUF Descobertas. Mas falando de Pediculus humanis capitis, conhecidos por piolhos do cabelo, estes são parasitas transparentes, que se tornam castanhos depois de se alimentarem de sangue humano. «As fêmeas adultas depositam os ovos (lêndeas) nos cabelos, perto do couro cabeludo, e no espaço de duas semanas os novos parasitas crescem, continuando o ciclo de vida», acrescenta ainda a pediatra.

CONTÁGIO

Ao contrário do que habitualmente se pensa, os piolhos não saltam nem voam. Rastejam, isso sim, a alta velocidade – cerca de 23 centímetros por minuto – e o contágio acontece por contacto direto, «cabeça com cabeça», ou através da partilha de objetos que contactam com o couro cabeludo: chapéus, escovas, pentes, ganchos, bandoletes, capacetes e afins.

RISCO

Os principais fatores de risco – há que conhecê-los para evitá-los o mais possível – são o contacto direto, que é como quem diz cabeças encostadas e partilha de objetos, já referidos anteriormente. «As raparigas, por terem o cabelo mais comprido, acabam por ser um grupo de risco maior», sublinha Mónica Cró Braz, lembrando contudo que ninguém está livre de apanhá-los.

MITOS

Chegou a acreditar-se que a transmissão estaria diretamente ligada a falta de higiene, mas hoje sabe-se que não é assim: pessoas com cabelos limpos também apanham piolhos, desde que estejam reunidas as condições favoráveis à propagação. «Sítios com tendência para a sobrelotação, como lares, creches e escolas, propiciam o contágio», aponta a pediatra Mónica Cró Braz. E sim, são as crianças quem os apanha com maior facilidade, o que nos leva de imediato ao ponto seguinte.

CRIANÇAS

Apanhar piolhos depende da intensidade do contacto capilar entre duas ou mais pessoas e, aqui, a matemática funciona contra as crianças: partilham espaços mais fechados – em salas de aula e lazer – durante mais tempo que os adultos. «Também brincam com bastante contacto físico que inclui partilha de objetos, abraços, beijinhos e videojogos com muitos encostos de cabeça, pelo que o contágio se faz mais facilmente», explica a pediatra da CUF Descobertas aos pais.

INFESTAÇÃO

Ficamos contagiados a partir do momento em que o primeiro piolho atinge o nosso cabelo. Tratando-se de uma fêmea adulta, ela pode colocar os ovos e, numa a duas semanas, termos uma infestação. Se tal significa que podemos estar a contagiar outras pessoas sem o sabermos? «Sim», desfere Mónica Cró Braz, completando uma má notícia com outra: a saliva dos piolhos dá comichão sobretudo na parte de trás da cabeça e no pescoço – é a reação natural do corpo ao facto de o piolho se estar a alimentar do nosso sangue.

O FIM

Posto isto, a forma mais eficaz de eliminar os piolhos é removê-los, e às lêndeas, com um pente de dentes finos, passando-o desde a base do cabelo até à ponta dos fios. Aplicar ainda um produto químico próprio, à venda em farmácias, tendo sempre em atenção que esses cremes contêm substâncias tóxicas que podem provocar lesões no couro cabeludo das crianças. Vinagre misturado com água na mesma proporção (um copo de vinagre para outro de água) também pode ajudar bastante na remoção devido à acidez.

PREVENÇÃO

E porque uma infestação chega e sobra, a melhor forma de evitar novos contágios no futuro, segundo Mónica Cró Braz, é repetir o tratamento uma semana depois, colocar as lêndeas e piolhos removidos com o pente fino em sacos de plástico fechados, lavar bem os objetos contaminados, evitar a partilha de objetos pessoais e nalguns casos particularmente drásticos – também os há – cortar o cabelo mais rente para facilitar o controlo desta fauna indesejada.