Poluição atmosférica matou 600 mil crianças em 2016, diz OMS

O alerta é da Organização Mundial de Saúde: a poluição atmosférica matou cerca de 600 mil crianças em 2016. «O mundo está a transformar-se numa sala de fumo», avisa o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu. Em que estado está o ar em Portugal?

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia ShutterStock

O simples ato de respirar mata sete milhões de pessoas por ano e prejudica a saúde de outros tantos. O alerta é da Organização Mundial de Saúde (OMS), que acrescenta que mais de 90 por cento de crianças com menos de 15 anos estão a ser afetadas pela poluição atmosférica, colocando a sua saúde e desenvolvimento em risco.

Um novo estudo levado a cabo pela organização mundial indica que terão morrido em 2016 cerca de 600 mil crianças com infeções respiratórias devido à poluição.

Os números alarmantes são também associados às dificuldades no desenvolvimento cognitivo das crianças, bem como a problemas como asma e cancro infantil.

A diretora do departamento de Saúde Pública da OMS, Maria Neira, já propôs algumas medidas para inverter estes números.

«As crianças expostas a altos níveis de poluição atmosférica têm maior risco de sofrer de doenças crónicas e cardiovasculares», lê-se no relatório.

«Uma das razões pelas quais as crianças são particularmente vulneráveis aos efeitos da poluição do ar é que elas respiram mais rapidamente que os adultos e assim absorvem mais poluentes. Também vivem mais perto do solo, onde alguns poluentes atingem picos de concentração, sendo que os seus cérebros e corpos ainda estão em desenvolvimento», diz o mesmo estudo.

A diretora do departamento de Saúde Pública da OMS, Maria Neira, considera que se deve reduzir as emissões de poluentes perigosos e promover a utilização de energias limpas e renováveis.

No site BreathLife – organização que pretende mobilizar a comunidade para este problema – existe um género de «medidor» atmosférico para todas as cidades do mundo.

Lisboa e Porto estão em «zonas de segurança», apesar da capital portuguesa já estar um pouco acima do recomendado.

Esta medição tem em conta as partículas minúsculas (PM2.5 – finas e suscetíveis de se infiltrarem nos organismos) que invadem os pulmões e podem entrar no sistema cardiovascular.