Continuamos a acreditar em superstições. E há (boas) razões para isso

Entrar com o pé direito, não passar por debaixo de um escadote, procurar trevos de quatro folhas, fazer figas, não abrir chapéus de chuva dentro de casa, não deixar tesouras em cima da cama, não sentar treze pessoas à mesa. Quem nunca cedeu a superstições? Ou porque lhe foram incutidas em criança ou porque está tão enraizado culturalmente que as integramos no nosso comportamento ou só porque sim. A verdade é que, segundo a ciência, há mais nas superstições do que apenas uma crença irracional e difícil de explicar. Estas têm realmente um papel ativo no nosso quotidiano, seja na regulação dos níveis de stress, seja na melhoria da performance profissional.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de iStock

Há muito tempo que pesquisadores tentam perceber por que os seres humanos continuam a acreditar em superstições, numa sociedade cada vez mais marcada pelo pensamento científico e lógico. Fazemo-lo para nos dar sorte ou para evitar que o azar nos bata à porta.

Um estudo publicado em 2002 sugeria que o pensamento mágico e superstições aumentavam consideravelmente em momentos de stress e necessidade de controlo.

Giora Keinan, responsável pela pesquisa, afirmava à Psychology Today que «a possível explicação para esta relação é que o stress reduz a nossa perceção de controlo de uma determinada situação e para voltar a tê-la, a pessoa adota o superstições como necessidade de sentir causa e efeito».

Através de ditados ou ações («Parte uma perna», «muita merda»), estamos a ativar os mecanismos necessários de confiança para melhorar a performance

Para além das superstições mais comuns há quem tenha o seu próprio ritual. Aquele número da sorte, os amuletos, a mesma roupa. Uma pesquisa da Universidade de Roterdão chegou à conclusão que quatro entre cinco atletas profissionais tem pelo menos um ritual supersticioso para ganhar confiança e dar fôlego à performance.

Ao optarmos pelos rituais supersticiosos em momentos determinantes, estamos também a melhorar a nossa performance, segundo estudos da Universidade de Köln, na Alemanha.

Seja para controlar os níveis de stress ou para uma suposta sensação de controlo, a verdade é que esses amuletos, crenças e rituais fazem parte da nossa vida.

Através de ditados ou ações («Parte uma perna», «muita merda»), estamos a ativar os mecanismos necessários de confiança para melhorar a performance – nossa e dos outros – em determinado momento.

Seja para controlar os níveis de stress ou para uma suposta sensação de controlo, a verdade é que esses amuletos, crenças e rituais fazem parte da nossa vida e são um suporte emocional para lidarmos com as situações.

Quem não bate três vezes na madeira para afastar o azar que atire a primeira pedra.

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