É por isto que se esquece dos nomes das pessoas (mas há esperança para si)

Esta é talvez a ocasião social mais embaraçosa – e comum – pela qual todos já passámos. Cumprimentamos alguém pela primeira vez, apresentamo-nos e no minuto seguinte já não nos lembramos do nome da pessoa (pior, passamos o resto do tempo a tentar disfarçar o facto). Por que não conseguimos, afinal, fixar certos nomes?

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de iStock

O argumento mais simples para responder à pergunta, segundo Charan Ranganath, diretor do Memory and Plasticity Program (Programa de Memória e Plasticidade), da Universidade da Califórnia, é que não estamos francamente interessados.

«As pessoas são melhores a lembrar-se de coisas que as motivam. Muitas vezes, queremos realmente conhecer aquela pessoa. Outras vezes…nem tanto. É mais uma coisa de passagem que não achamos importante».

Qualquer nome, comum ou não, tem de lutar por espaço no seu cérebro repleto de outras informações.

Um nome mais comum pode ser fácil de esquecer porque não soa a nada diferente ou várias pessoas já o têm. É só mais outra Joana, outra Ana, outra Maria que não vai lembrar, por assim dizer.

Por outro lado, um nome raro (de certeza que se lhe apresentarem um Pancrácio nunca o esquecerá) é mais fácil de reconhecer. Qualquer nome, comum ou não, tem de lutar por espaço no seu cérebro repleto de outras informações. Por isso, decorar um nome não é tão fácil como pode parecer.

«Não está apenas a lembrar-se de um nome, está a lembrar-se de um nome associado a uma cara. Mesmo que consiga chegar à informação da pessoa, pode não recordar o nome, uma vez que há uma enorme ‘competição’ no seu cérebro entre todos os outros nomes e caras. As pessoas subestimam como é difícil recordar», explica Charan Ranganath.

Se esquece frequentemente os nomes, a solução passa por distinguir alguma coisa em relação à aparência da pessoa e relacioná-la com o nome.

Também acontece que estamos frequentemente distraídos a tentar causar boa impressão ou a fazer conversa e a nossa energia dispersa-se. «Ao focarmos a energia na interação, esquecemo-nos de guardar a informação que nos é dada», continua.

Se esquece frequentemente os nomes ou tem um trabalho onde está constantemente a conhecer pessoas novas e precisa mesmo de criar mecanismos de reconhecimento, pode distinguir alguma coisa em relação à aparência da pessoa e relacioná-la com o nome, diz o diretor. Por exemplo, a «Joana do cabelo ruivo» ou o «António da barba branca». Pode ajudar.

Repita o nome da pessoa algumas vezes, depois de ser apresentado. Pode facilitar a memória. Se nada disto resultar, lembre-se que este é um problema comum e que «se pensar bem na quantidade de informação que armazenamos, é um milagre que consigamos recordar qualquer nome», remata Ranganath.