Por que odiamos a segunda-feira?

Mario Sergio Cortella, filósofo e escritor brasileiro, explica no livro Por que fazemos o que fazemos? [edições Planeta] como deve encontrar ânimo e motivação no trabalho e na sua vida pessoal. O ódio às segundas-feiras pode ser apenas um sinal que algo não está a bater certo.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

«Não acredito, de maneira nenhuma, que uma pessoa que sofre muito com a chegada das segundas-feiras esteja apenas cansada». É assim que Mario Sergio Cortella defende, no livro Por que fazemos o que fazemos?, que o ódio ao primeiro dia útil da semana pode significar que não está feliz com a sua vida profissional.

Para o filósofo e escritor brasileiro, odiar a segunda-feira significa que a pessoa em causa «não se está a encontrar naquilo que faz, precisa rever os propósitos que tem para aquilo que está a fazer», explica no livro, lançado este mês em Portugal.

«Como a sociedade hoje é mais focada no indivíduo, a ideia de propósito está marcada por um conceito que já existiu e voltou cheio de força: o da realização»

Já com 350 mil exemplares vendidos no seu país, Porque fazemos o que fazemos? caracteriza-se como um manual «para todos os que têm uma carreira, mas se questionam e refletem sobre o presente e o futuro». É através de algumas questões pertinentes, que Cortella lhe diz como acordar feliz e motivado.

  • As manhãs de segunda-feira abatem-no?
  • Sente que não tem tempo para nada?
  • A rotina está a matar o prazer no seu dia a dia?
  • Sente-se perdido quanto ao real objetivo da sua vida?

Se as suas respostas não foram positivas, a razão pode estar no «propósito» da sua vida.

Como explica o livro, a questão do propósito tem vindo a ganhar relevância. «Boa parte das pessoas, hoje, deseja encontrar no emprego algo que ultrapasse o mero ganho salarial. Há uma procura por ser reconhecido, por ser valorizado pelo que se faz».

«Como a sociedade hoje é mais focada no indivíduo, a ideia de propósito está marcada por um conceito que já existiu e voltou cheio de força: o da realização. E a palavra ‘realizar’ nas suas leituras em latim e inglês indica, respetivamente, realizar no sentido de ‘tornar real’, mostrar a mim mesmo o que sou a partir daquilo que faço, e to realise, na aceção de ‘dar-me conta’. Isto significa a minha consciência», explica ainda o autor.

Livro de Mario Sergio Cortella custa 14,42 euros. Está nas livrarias desde 18 de setembro

Mario Sergio Cortella diz também que, apesar das alterações em relação àquilo que procuramos no trabalho, há uma ideia fixa de que o trabalho é essencial na vida das pessoas, até no que à saúde diz respeito: «só nos consideramos saudáveis quando podemos voltar a trabalhar, não quando somos capazes de passear, fazer amor, cantar, dançar».

Outra das queixas de quem se sente insatisfeito profissionalmente tem que ver com a monotonia. Para o professor universitário, doutorado em Educação, esta não é sinónimo de rotina e a grande diferença está no automatismo com que realiza certa atividade.

«A monotonia é a morte da motivação!», escreve, acrescentando: «isto é válido tanto para as relações afetivas como para as de trabalho. Não é por acaso que as pessoas que gerem outras procuram fazer que a rotina tenha um padrão de sequência, de completude, mas tentam alterar a situação quando veem o perigo de se tornar monótono».

O dinheiro não é a principal causa da desmotivação dos funcionários, apesar de ser um fator muito importante. No entanto, é a ausência de reconhecimento que afeta mais os níveis de motivação dos trabalhadores

Outra razão para a insatisfação está relacionada com a desmotivação. E qual é o fator que mais nos desmotiva nas empresas? De acordo com o professor de Filosofia, a principal causa da desmotivação é a ausência de reconhecimento.

«As organizações mais atentas ao capital humano costumam fazer um reconhecimento público, seja em festas, sejas em meios de comunicação da empresa, seja coisas que até parecem tolas – como a foto de funcionário do mês – mas não são. É um prazer enorme receber algum tipo de distinção. Na área académica é o equivalente a receber um título, um prémio», explica Mario Sergio Cortella.