Quando levar uma criança às urgências?

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Vómitos com sangue. Feridas graves. Pancadas fortes com a cabeça. Se é certo que levar o seu filho às urgências deve ser sempre o último recurso, algumas situações justificam esse passo sem hesitar.

Texto de Ana Pago | Fotografia da Shutterstock

DIFICULDADES RESPIRATÓRIAS
Podem resultar de asma, alergias, infeção pulmonar ou dar-se o caso de a criança ter engolido ou inalado algo que lhe obstruiu as vias respiratórias. Sente-a direita – deitá-la só agrava a situação –, sem cansá-la nem fazê-la falar, e faça-a inspirar pelo nariz e expirar pela boca (até como forma de se acalmar). Mesmo que lhe pareça recuperada, sublinha o INEM, leve-a ao hospital para despistar possíveis lesões.

PROSTRAÇÃO ACENTUADA
Uma coisa é o seu filho vir mais cansado da escola ou da natação, outra é mostrar-se anormalmente sonolento, prostrado, até mesmo inerte (os pais saberão melhor do que ninguém perceber esta diferença na criança). Independentemente do que possa estar a causar a prostração acentuada, é outro sinal de que deve levá-lo às urgências para ser visto por um médico.

DIARREIA OU VÓMITOS COM SANGUE
Só diarreia ou só vómitos são sintomas que os pais devem vigiar com atenção mas sem grande alarmismo, considerando a possibilidade de uma gastroenterite que irá passar em breve. A menos que uma ou outra evacuação venha em grande abundância (ao ponto de causar desidratação) e com sangue à mistura, fatores que atestam tratar-se de algo mais grave que justifica levar o seu filho ao hospital agora mesmo, de acordo com as diretrizes pediátricas do Centro Hospitalar Barreiro Montijo.

PELE AZULADA
Regra geral, a cianose indica que a criança está com falta de oxigénio no sangue e deve fazer soar campainhas de alerta nos pais se for repentina e surgir associada a dificuldades em respirar e adormecer, cansaço extremo, flacidez no corpo, músculos do peito retraídos a cada movimento respiratório, perda de apetite, irritabilidade e outros sintomas fora da norma. Para Ana Carriço, especialista em cardiologia pediátrica, pode estar associada a várias doenças, algumas delas com risco de vida, pelo que a criança deve ser vista com urgência.

REAÇÕES ALÉRGICAS GRAVES
São as chamadas reações anafiláticas e surgem de repente, potencialmente graves e fatais, com sintomas disseminados por todo o corpo a incluírem inchaços, dificuldade em respirar, desmaios, pruridos, silvos, palpitações, sensação de formigueiro, tonturas e outros, dependendo da criança e da reação. Uma vez que o choque pode ser mortal, alerta a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, há que procurar ajuda de imediato.

PANCADAS FORTES NA CABEÇA
Até pode desdramatizar o embate enquanto fala com o seu filho, de forma a tranquilizá-lo no imediato, porém não deixe de levá-lo às urgências para garantir que não houve hematoma cerebral (com risco de sangramento intracraniano) ou outro tipo de lesão neurológica mais ou menos permanente, incapacitante ou até fatal no futuro, aconselha o pediatra Márcio Moreira. Convém sempre despistar a gravidade do trauma, não facilite.

FERIDAS ABERTAS
Lógico que não falamos daquelas escoriações mais superficiais que as crianças estão sempre a fazer nas brincadeiras do dia-a-dia, mas de feridas abertas que sejam particularmente grandes, profundas, sangrantes, a necessitar de uns quantos pontos com mão hábil para fechar. Segundo o médico César Alagoa, do Hospital CUF Descobertas, em casa pode começar por limpar o ferimento com água corrente ou soro fisiológico, desinfetar com Betadine e proteger com uma compressa limpa. Depois disso só com quem sabe.

A FEBRE NÃO BAIXA
Em si mesma, febre não é doença nem um sintoma que deva preocupar demasiado os pais que a vigiam, desde que não seja muito superior a 37º ou 38º C (conforme seja tirada na axila ou reto da criança) nem se prolongue demasiado no tempo (mais do que 3 a 5 dias). Dito isto, febres acima dos 39º C em crianças até aos seis meses exigem sempre uma ida ao médico, explicam os pediatras da CUF. A partir dessa idade o alarme dispara aos 39,5º C, sobretudo se a febre vier acompanhada por alguns dos sintomas anteriores.

FEBRE COM ERUPÇÕES AGUDAS
O aviso vem novamente da CUF: esta é mais uma situação com febres altas que sugere que a criança poderá estar com uma doença infeciosa como a escarlatina, febre da carraça ou outra que necessite de antibiótico e, como tal, de uma ida ao médico para fazer o diagnóstico correto, dar início aos tratamentos e instruir os pais quanto ao melhor procedimento a seguir em casa.