Quando os pais se separam…receita para um Natal em paz

Estamos a chegar ao Natal e, novamente, avizinha-se um calvário na vida de tantas crianças filhas de pais separados. Porque o acordo diz que as férias são de uma semana com cada um dos pais, e as crianças têm mais dias de férias do que estes. Porque o acordo refere os dias das transições, mas é omisso em relação aos horários específicos.

Porque até estão definidos os horários, mas os pais gostariam de os alterar devido a dinâmicas familiares específicas. Tudo isto poderia ser tão pacífico e tranquilo… não fossem as dificuldades de comunicação e negociação destes pais, que em tudo encontram um entrave. Agarram-se aos acordos como verdades absolutas, deixando de lado todo e qualquer bom senso e, por uma questão de dias, horas ou minutos, avançam com ameaças, queixas na polícia e requerimentos ao tribunal. Pior, envolvem as crianças nestes conflitos, expondo-as sem dó nem piedade a gritos e acusações e privando-as, tantas vezes, de um convívio saudável com todos os elementos da sua família.

E aqui importa salientar que, na perspectiva da criança, a sua família é uma e apenas uma (negrito intencional). Ou seja, para a criança não existe a “família da mãe” e a “família do pai”, na medida em que a noção de família transcende as residências. Devemos centrar-nos nos vínculos afectivos existentes entre os vários elementos da família, e não no local de residência de cada um Assim, quando alguém impede o convívio da criança com o outro progenitor, está também a impedir que estabeleça e mantenha relações com outras pessoas da sua família.

É esta a magia do Natal para muitas crianças… ouvem os adultos falar (com hipocrisia) em paz, amor e solidariedade quando, na realidade, expõem os filhos a uma guerra diária, em que são eles próprios as armas de arremesso.

Ouço crianças dizer que deixaram de gostar do Natal, por todos os conflitos a ele associados. Que preferiam nem sequer ter férias, presos a conflitos de lealdade que os fazem acreditar que gostar de um dos pais significa deixar de gostar do outro. É esta a magia do Natal para muitas crianças… ouvem os adultos falar (com hipocrisia) em paz, amor e solidariedade quando, na realidade, expõem os filhos a uma guerra diária, em que são eles próprios as armas de arremesso. Ouvem os adultos falar (com hipocrisia) na importância em partilhar e ajudar o próximo quando, em boa verdade, revelam comportamentos egoístas e tradutores de uma enorme autocentração.

Está separado ou divorciado e gostava que o seu filho vivesse esta época em paz? Gostava que as memórias de infância do seu filho associadas ao Natal fossem positivas? Pois bem, é possível. Basta seguir esta receita:

Receita para um Natal em paz:

Defina tempos de férias que tenham em conta a idade e nível de desenvolvimento da criança. As crianças mais novas têm uma noção de tempo ainda muito limitada, pelo que dificilmente terão a noção do que é uma ou duas semanas.

Se o tempo de férias com um dos pais exceder a noção de tempo da criança (p. ex., a criança apenas consegue perceber o conceito de hoje e amanhã, e irá estar sete dias com um dos pais) é desejável a realização de um convívio a meio do período de férias, com o outro progenitor.

Permita e incentive os contactos da criança com o outro progenitor, mesmo que sejam à distância. Um telefonema ou uma vídeo chamada fazem verdadeiros milagres no que respeita ao bem estar e segurança afectiva das crianças.

Deixe que estes contactos sejam efectuados com respeito pela privacidade da criança e dê-lhe espaço e tempo para que fale à vontade.

Encoraje o seu filho a manifestar emoções positivas pelo outro progenitor.

Pense que, mais do que o “tempo da mãe” ou o “tempo do pai”, é o tempo da criança e o seu direito a estar presente e a conviver com as pessoas de quem gosta e que gostam de si.

Feliz Natal para todas as crianças, quer vivam com ambos os pais ou tenham os pais separados!