Açúcar a mais nos iogurtes é um risco para a saúde

Investigadores da universidade de Leeds e Surrey, no Reino Unido, analisaram cerca de 900 marcas de iogurtes disponíveis em grandes superfícies comerciais. Apenas nove por cento mostraram «ter baixo teor» de açúcar.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia iStock

A Organização Mundial de Saúde (OMS) defende que é o veneno do século XXI e, de acordo com as suas últimas recomendações, o consumo de açúcares simples adicionados à nossa alimentação deve estar abaixo dos 10 por cento da energia consumida diariamente.

Apesar dos avisos, um estudo da universidade de Leeds e Surrey, no Reino Unido, indica que os iogurtes têm índices de açúcar acima da média, sendo que apenas nove por cento das marcas analisadas, encontradas à venda nas grandes superfícies comerciais, têm «baixo teor de açúcar».

À excepção dos naturais e gregos, que têm cerca de 5 gramas de açúcar para 100 gramas de produto – valor que corresponde à recomendação da OMS -, todos apresentaram doses bastante superiores.

Os iogurtes que são rotulados como sobremesas apresentam os valores mais altos, com uma média de 16,4 gramas de açúcar por 100 gramas. De seguida, surgem o grupo dos chamados iogurtes orgânicos: 13,1 gramas de açúcar por cada 100 gramas.

Apesar de ser visto como um alimento saudável, o iogurte pode ser «uma fonte de açúcares na dieta» das pessoas, alerta estudo

Para Bernadette Moore, autora principal do estudo e a professora de nutrição, este deve ser um aviso importante para reconsiderar aquilo que é visto como um «produto saudável».

«Embora o iogurte possa ser menos preocupante do que os refrigerantes e sumos de frutas, é alarmante que o iogurte, entendido como ‘alimento saudável’ possa ser uma fonte de açúcares na dieta» de qualquer pessoa, pode ler-se no estudo, citado pelo Bristish Medical Journal Open.

Excessos também nos produtos para crianças

De acordo com o mesmo estudo, no caso dos iogurtes destinados a crianças a situação é ainda mais grave: dos 101 produtos analisados nessa categoria (infantil) apenas dois tinham menos de cinco gramas de açúcar por 100 gramas.

Mesmo nos produtos para crianças foram encontrados maioritariamente iogurtes com teores de açúcar acima do recomendado

«O que está em causa é muito preocupante, sobretudo tendo em conta o aumento da obesidade infantil e da prevalência de cáries dentária nesta parte da população», frisou Moore, considerando estes resultados alarmantes visto que as crianças são o grupo que mais consome este alimento.

Lembre-se que os dados da Organização Mundial de Saúde indicam que, em Portugal, o consumo de açúcar por parte das crianças aproxima-se dos 25 por cento (diariamente), quando o ideal é que se fixe nos 5 por cento.

Além da obesidade, existem outros problemas associados ao consumo em excesso de açúcar, como a hipertensão, AVC, além de comprometer o bom funcionamento dos rins e as articulações. Nas crianças, os principais problemas apontados são o excesso de peso (que pode levar à obesidade infantil) e também o surgimento de cáries nos dentes.

Portugal é um dos países da Europa em que as crianças mais consomem açúcar

Segundo um estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative realizado em 2016, as percentagens de excesso de peso situavam-se acima dos 30 por cento (30,7%) em Portugal, enquanto a obesidade infantil apontava para os 11,7 por cento.

No caso dos adultos, o cenário é ainda mais preocupante, com a Organização Mundial de Saúde a considerar que «as tendências para o excesso de peso e a obesidade em adultos estão em curva ascendente na maior parte da Europa».

Veja na fotogaleria algumas formas para combater a obesidade.


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