Para que servem as novas vacinas do Plano Nacional de Vacinação?

Foi aprovada no Parlamento a introdução de três novas vacinas no Plano Nacional de Vacinação (PNV). Contra a meningite B, o rotavírus e o HPV. E a polémica estalou.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia ShutterStock

Para que servem as novas vacinas? O que causou a polémica? E quais os benefícios de estarem inseridas no Plano Nacional de Vacinação? Questionámos Jorge Amil Dias, pediatra e presidente do Colégio de Pediatra da Ordem dos Médicos sobre o assunto.

Para que servem?

«As vacinas destinam-se e estimular imunidade contra determinadas proteínas de agentes patogénicos (geralmente vírus e bactérias), para que o organismo responda de forma rápida e eficaz em caso de contacto com esses agentes sem chegar a haver doença clínica», explica o pediatra Jorge Amil Dias.

No caso das novas vacinas inseridas no PNV, estas são apontadas para as infeções por meningococo tipo B, rotavírus e vírus do papiloma humano.

A DGS, pela voz de Graça Freitas, diz que não foi ouvida pelo Parlamento e reclama a «evidência técnica e científica» destas três vacinas

 

 

Porquê tanta polémica?

A decisão da Assembleia da República – depois da proposta avançada pelo PCP e da aprovação de PSD e BE – tem gerado alguma polémica. A DGS, pela voz de Graça Freitas, diz que não foi ouvida pelo Parlamento e reclama a «evidência técnica e científica» destas três vacinas.

«A Comissão de Saúde ouviu e bem a indústria farmacêutica e outras entidades a este respeito, mas eu gostaria de que também tivesse ouvido a DGS e a Comissão Técnica de acinação e tivesse tido em conta os vários pareceres que a DGS mandou ao longo dos anos para o Parlamento », disse a principal responsável, em conferência de imprensa.

O bastonário da OM, Miguel Guimarães, defende a DGS, considerando que a decisão da Assembleia da República sem consulta daquele organismo é «uma falta de respeito».

O PCP lembra que estas são vacinas já recomendadas «tanto por pediatras como por médicos de medicina geral e familiar» e que, «sem a proposta do partido, milhares de crianças continuariam excluídas» da vacinação.

O Colégio dos Pediatras, a que preside Jorge Amil Dias, considera que «as opções políticas neste assunto devem seguir de perto o que for recomendado pela Comissão Técnica, salvo forte evidência científica em contrário».

«A grande maioria das pessoas que recusam vacinas beneficiam diariamente de todas as outras que cumprem com rigor as recomendações das autoridades de saúde e dos médicos que assistem os seus filhos»

Faz sentido a introdução agora?

Jorge Amil Dias sublinha que, genericamente, os pediatras «são a favor de todas as formas de prevenção de doença, nomeadamente infeciosa prevenível».

No entanto, refere que a «inclusão no Plano Nacional de Vacinação depende da avaliação que se faz entre o custo da sua introdução, o benefício previsível em termos populacionais e o que poderá ficar por fazer (e respectivo impacto) quando se encaminham para esse fim os (limitados) fundos disponíveis».

Pais que não vacinam os filhos. Que consequências?

«A introdução de vacinas representou uma modificação no risco de morte por doenças infeciosas. Muitos terão visto, por exemplo, adultos com paralisias por poliomielite que hoje já quase não existem. Também a difteria, a varíola, a rubéola e mesmo o sarampo deixaram de ser doenças que ameaçam diariamente as crianças. Desconhecer ou negar esta realidade é um caso de insanidade grave ou de ignorância atrevida», começa por dizer o especialista.

«Seguramente, a grande maioria das pessoas que recusam vacinas beneficiam diariamente de todas as outras que cumprem com rigor as recomendações das autoridades de saúde e dos médicos que assistem os seus filhos.»

Por tudo isto, Amil Dias não tem dúvidas de que o incumprimento do calendário de vacinação na população infantil pode ser um «ato de enorme risco que expõe as crianças e os seus conviventes»

Que vacinas já existem no PNV:

  • Hepatite B
  • Difteria
  • Tétano
  • Tosse convulsa
  • Poliomielite
  • Doença invasiva por haemophilus influenzae do serotipo B
  • Infeções por Streptococcus pneumoniae
  • Doença invasiva por Neisseria meningitidis do grupo C
  • Sarampo
  • Parotidite epidémica
  • Rubéola

Alguns benefícios:

  • As vacinas são gratuitas e universais;
  • São administradas por enfermeiros;
  • São aplicadas nos centros de saúde e nos hospitais;
  • Têm um calendário recomendado.

Veja na fotogaleria as principais caracteristidas das novas vacinas do Plano Nacional de Vacinação:


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