Quer melhorar a sua relação amorosa?

As relações amorosas não têm receitas e dependem de numerosas variáveis, pelo que tentar encontrar uma fórmula mágica para a relação ideal é pura perda de tempo. Sabemos que há determinados ingredientes fundamentais para além do amor, como a confiança, o respeito, a amizade e a admiração. Ingredientes que devem depois ser bem misturados com os valores, as crenças e os objectivos de vida. No entanto, a forma exacta como estes ingredientes se misturam é totalmente desconhecida e depende de casal para casal. Não existem livros de instruções.

Mesmo quando a receita está correcta e os ingredientes misturados na dose certa, existem crises. Momento menos bons que todas as relações atravessam, colocando aos parceiros desafios que é necessário ultrapassar. Nestas fases de maior stress em que é especialmente necessário comunicar adequadamente e gerir as divergências de uma forma assertiva e equilibrada, existe um exercício que se afigura muito útil e que pode ajudar o processo de mudança e de crescimento a dois.

E esquecemo-nos que uma relação a dois depende desses mesmos dois. Como diz o povo, são precisos dois para dançar o tango.

Habitualmente, atribuímos ao outro a responsabilidade pelos problemas. Esticamos o dedo acusatório e dizemos que o outro é culpado disto e daquilo, que o outro tem de mudar isto e aquilo, porque se o outro fosse assim ou assado, tudo seria diferente. O outro. Sempre o outro. E esquecemo-nos que uma relação a dois depende desses mesmos dois. Como diz o povo, são precisos dois para dançar o tango.

Logo, o bem estar ou mal estar da relação depende também de nós.

Neste contexto, existe um exercício muito importante e, aparentemente, simples (porque, em boa verdade, de simples não tem nada) que implica olhar para dentro e fazer uma questão. Uma questão que cada um de nós deve colocar a si próprio.

O que é que eu posso mudar para eu me sentir melhor nesta relação?

Duas vezes o eu, sublinhado para que fique bem claro aquilo que se pretende. Pretende-se um caminho contrário àquele que, de forma espontânea, tendemos a percorrer. Ou seja, ao invés de salientarmos aquilo que o outro deveria mudar, pensar em tudo aquilo que nós próprios poderíamos alterar, por forma a melhorar a satisfação e a gratificação com a relação. Sabemos que não é um exercício fácil, mas afigura-se necessário se queremos, efectivamente, melhorar a forma como nos sentimos na relação de casal.

Vamos tentar? Pois bem, peque então numa folha de papel e numa caneta e defina aquilo que poderá mudar. E atenção, porque mesmo sem querer e, muito rapidamente, mudamos do eu para o tu. E faça este exercício com calma, demorando o tempo que for preciso, pois sabemos que olhar para dentro é um processo moroso.

Observe agora com atenção aquilo que escreveu. De que forma poderá ser colocado em prática? Que obstáculos poderá encontrar? E como poderá ultrapassá-los?

Quando o casal realiza este exercício e, de forma genuína e honesta, vai dentro de si procurar as áreas de mudança, as mudanças realmente acontecem. Porque amar não chega. É necessário saber escutar, aceitar as diferenças e mimar, que é como quem diz, dedicar tempo ao outro e à relação. Cuidar do nós como quem cuida de uma planta.