Quer saber como negociar (a sério) o seu salário?

Ainda que seja uma pessoa que evita a todo o custo qualquer conflito, negociar o seu ordenado é uma questão de justiça. Nem tudo precisa de ser uma luta díficil. Há estratégias a adotar de antemão para garantir algum poder negocial.

Texto de Patrícia Cardoso

Se não tem um aumento há tempo considerável (ou nunca teve) e, no entanto, sabe que a empresa está satisfeita com os seus resultados, por que não ser proativo? Mesmo que pense que este poderá ser um motivo de conflito e desconforto, a verdade é que não tem de ser assim. Se está a espera que seja a empresa a dar esse passo, o melhor é pensar duas vezes. Estas são algumas dicas para não fazer deste assunto um tabu.

Conflito e negociação são duas coisas diferentes

Por que vemos a negociação como um conflito? Esta é uma das desculpas mais usadas para nem sequer tentar falar com o seu patrão. Pode detestar entrar em confrontos verbais mas tire da cabeça que negociar o seu ordenado é uma dessas situações. Não tem de ser. É, acima de tudo, uma conversa. E, quando conduzida da forma correta, satisfaz os dois intervenientes, porque o empregado tem o ajuste salarial que merece e o empregador tem uma pessoa empenhada em ter os melhores resultados em vez de passar o dia no Facebook.

A empresa espera esta conversa

Casas e carros tendemos a negociar sem problema e sempre esperamos conseguir um valor que nos convém. Já o ordenado é uma conversa mais díficil. Se está em negociação com uma empresa que mostra interesse em contratá-lo, vale mesmo a pena perceber que precisa de falar em valores. Se acha que fazer valer o seu trabalho é uma questão eliminatória, pense duas vezes. As empresas gostam de pessoas determinadas e assertivas. Seja uma.

Se é mulher, a negociação é diferente. Lide com isso

Linda Babcock, professora de economia da Universidade de Carnegie Mellon e autora do livro Ask for It: How Women Can Use the Power of Negotiation to Get What They Really Want (Saiba pedir: Como as mulheres podem usar o poder da negociação para conseguirem o que querem) concluiu que, infelizmente, na realidade empresarial atual, há que perceber que não parte apenas dos homens penalizar a atitude das mulheres. Uma pesquisa publicada no site Science Direct demonstra que também as mulheres tendem a mostrar desdém quando uma colega se chega à frente para negociar a sua situação. A professora sugere uma atitude colaborativa e especial atenção à posição do chefe durante a conversa. Sugira outras responsabilidades que possa acumular ou como quer fazer parte do sucesso da empresa. Nunca, mas nunca, seja evasiva ou diga algo como «quero x porque sou fantástica e mereço. Vão pensar que é demasiado agressiva», diz a autora.

Não fique preso aos ordenados do passado

A empresa pergunta-lhe quanto ganhava em trabalhos anteriores e baseia os números nessa informação. Não se deixe ir nisso. Não existe nenhuma obrigação legal de dar essa informação. Quando lhe fazem a pergunta, tente desviar o assunto e acima de tudo, assumir que este não é o mesmo trabalho, que adquiriu experiência, que está numa posição diferente.

Saiba os números

É importante estar preparado para todos os cenários e saber uma ou outra informação importante. Por exemplo, qual a média salarial para a posição em que está a trabalhar. Tente saber também quanto a empresa está a pagar aos colegas que desempenham a mesma função. Mas, atenção, não seja ganancioso, pedindo um valor muito acima e que sabe ser impossível. Vai passar por presunçoso. Falar sobre dinheiro não tem de ser um problema entre colegas, pelo contrário, podem apoiar-se mutuamente para obter valores justos para todos.