O homem que erradicou a peste [e travou a gripe espanhola]

Ricardo Jorge foi o responsável pela proibição da Coca-Cola em Portugal, nos anos 1920, foi graças a ele que se conseguiu controlar a gripe espanhola, cujo surto mortífero no nosso país assinalou este ano 100 anos, é nome de rua em Lisboa e fundou um instituto nacional de saúde, que tem o seu nome. Quem foi este homem?

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia Arquivo DN

A vida de Ricardo Jorge não cabe num texto – talvez nem num livro. Dedicou-a à medicina e muito lhe devemos (ainda que não o saibamos), sobretudo em relação às políticas de saúde implementadas no país.

É sobretudo conhecido pelo Instituto Ricardo Jorge – antigo Instituto Central de Higiene – que fundou em 1903, com o objetivo de «conceder habilitação técnica e profissional do exercício sanitário», pode ler-se no site da instituição.

Homem de posições fortes, foi ele quem proibiu a Coca-Cola, nos anos 1920

Almejava estruturar mecanismos de defesa da saúde da população muito antes de existir um serviço nacional de saúde, criado apenas em 1979. Foi Ricardo Jorge, formado em Medicina Cirúrgica e, mais tarde, em Saúde Pública (tornando-se higienista e investigador), quem conduziu as operações de erradicação da peste bubónica, em 1899.

Firme nas medidas que tomou – obrigou à evacuação de casas e insistiu no isolamento e desinfeção de domicílios –, tornou-se persona non grata no Porto – onde nasceu, em 1858 – e mudou-se definitivamente para Lisboa.

Voltaria a lutar contra uma grande epidemia em 1918, quando liderou os esforços para travar a gripe espanhola. Homem de posições fortes, foi ele quem proibiu a Coca-Cola, nos anos 1920 (viria a ser permitida novamente na década de 1950).

Curiosamente, o que levou à interdição da bebida foi o slogan criado por Fernando Pessoa: «Primeiro estranha-se, depois entranha-se.» Ricardo Jorge viria a morrer em 1939 e o momento seria relatado no Diário de Notícias «causando dolorosa mágoa em todo o país e, sem dúvida, nos seus meios científicos».