«All I want for Christmas is you»

Este é um clássico de Natal, repetido ano após ano em todas as rádios que ouvimos. Um clássico porque se revela intemporal, quer para a geração que o ouvia em 1994, quer para os actuais millennials.

Pensando bem, apenas o título da canção diz tudo e, em bom rigor, a música poder-se-ia resumir a esta frase. Porque, de facto, o que queremos no Natal é alguém.

E porquê? Vejamos:

Por mais que nos foquemos nas decorações e nas prendas (o lado consumista da coisa), nas luzes e nos brilhos (o lado mágico da coisa) ou no nascimento de Jesus e aquilo que ele simboliza (um lado mais profundo, temos que admitir, independentemente de acreditarmos ou não), o denominador comum é sempre o mesmo. O outro. As pessoas de quem gostamos, a quem queremos fazer o bem e que desejamos sempre ter perto de nós.

Somos humanos e, por definição, precisamos uns dos outros. Somos seres sociais, integrados em comunidade e com a necessidade deste sentimento de pertença. Um sentimento que nos agrega e unifica, torna mais fortes e saudáveis. Porque precisamos de estar ligados por vínculos afectivos, esses fios invisíveis que nos ligam e nos permitem, ao mesmo tempo, arriscar e explorar o mundo.

Mas a necessidade do outro não anula a necessidade que temos também, tantos de nós, em estar sozinhos. E sabe tão bem estarmos sós, connosco próprios, desde que estar sozinho não seja sinónimo de solidão. Pois são até coisas muito distintas.

Gostar de estar sozinho não significa que sejamos anti-sociais ou esquizóides, como por vezes ouvimos dizer. Nada disso. Significa que nos sentimos bem com a nossa companhia. Que gostamos de nos ouvir pensar e sentir, dedicando tempo a quem, tantas vezes, colocamos em segundo plano – nós próprios. Significa ainda que temos a tranquilidade e serenidade suficientes para olhar para dentro, algo que nem sempre fazemos, centrados que andamos naquilo que se passa à nossa volta.

A solidão… bem, a solidão é algo bem diferente. Com a solidão surge frequentemente a sintomatologia: depressiva, ansiosa, relacional. É como se os tais fios invisíveis se tivessem quebrado, deixando-nos sem chão. E sem um chão que nos ampare e acolha, como é possível avançar com segurança?

Não é.

E como se combate a solidão?

Pois o melhor remédio «anti-solidão» que existe são as pessoas, a nossa rede de suporte. E essa rede será tão mais eficaz quando maior a diversidade de suporte que possa providenciar. Não, não interessa a quantidade de pessoas que temos à nossa volta, mas sim o tipo de apoio e a reciprocidade desse mesmo apoio. Seja ele instrumental, afectivo ou de qualquer outra natureza. Sentirmos que as outras pessoas estão lá, ainda que de uma forma latente.

Sem essa rede, sim, estaremos de facto sós.

Pois repito, como tão bem canta a Mariah Carey, que «All I want for Christmas is you».

E que todos possamos sentir neste Natal a presença deste alguém.

Feliz Natal.