Devem as crianças andar nuas na praia?

Chegou o calor e, com ele, as idas à praia e à piscina. E se é verdade que sabe bem andar com pouca roupa e que a nossa sociedade aceita cada vez mais, sem tabus nem preconceitos, a exposição do corpo humano, já o facto de as crianças andarem sem qualquer roupa merece alguma reflexão.

Na praia e na piscina é frequente vermos muitas crianças brincar alegremente totalmente nuas ou semi-nuas, apenas com uma fralda ou a cuequinha do biquini. E quando questionados sobre isto os pais respondem, estupefactos, que “são apenas crianças”, quais seres assexuados que não podem, por isso mesmo, estar associados a qualquer tipo de interesse ou desejo sexual.

Existem pessoas, homens e mulheres, que se sentem sexualmente atraídas por crianças pré-puberes e que, por isso adoram vê-las brincar, nuas e semi-nuas. Sei que dito desta forma, nua e crua, choca. Mas é a realidade.

São apenas crianças, é certo, pré-púberes e sem caracteres sexuais secundários. Não têm pêlos nem maminhas, apresentam um ar fofo e inocente e inspiram apenas cuidados e protecção.

Pois, o problema não reside na fofura e inocência das crianças, que ninguém questiona, mas sim nos pensamentos, sentimentos e desejos que suscitam em algumas pessoas.

E a verdade é esta: existem pessoas, homens e mulheres, que se sentem sexualmente atraídas por crianças pré-puberes e que, por isso mesmo, adoram vê-las brincar, nuas e semi-nuas. Sei que dito desta forma, nua e crua, choca. Mas é a realidade.

Quem se sente sexualmente atraído por crianças encontra nesta descontracção parental a oportunidade certa para satisfazer este desejo.

Numa perspectiva de prevenção primária do abuso sexual existe um conceito fundamental que as crianças devem aprender e interiorizar – o conceito de partes privadas.

As partes privadas são a zona genital, o rabo e as mamas (estas últimas, para as raparigas). Dito de outra forma, são as partes do corpo que devem andar cobertas em público e que apenas devem ser vistas ou tocadas em determinados contextos e por algumas pessoas (p. ex., na prestação dos cuidados de limpeza ou de saúde).

Este é um conceito que, associado a outros (como sejam os bons e maus toques, os bons e maus segredos, as emoções, aprender a dizer não e a pedir ajuda), permite capacitar as crianças com conhecimentos e competências para uma prevenção mais eficaz do abuso sexual.

Parece-me que as mensagens que transmitimos às crianças são, no mínimo, paradoxais. Por um lado, ensinamos-lhes que existem partes privadas que devem andar cobertas e, por outro, permitimos que as exponham à frente de todos.

Uma prevenção que pode, e deve, iniciar-se na idade pré-escolar, fase do desenvolvimento em que as crianças são já capazes de identificar potenciais situações de risco, associadas a emoções negativas, e a pedir ajuda a uma pessoa de confiança.

Neste contexto, parece-me que as mensagens que transmitimos às crianças são, no mínimo, paradoxais. Por um lado, ensinamos-lhes que existem partes privadas que devem andar cobertas pela roupa interior e que apenas devem ser expostas em algumas situações e, por outro, permitimos que as exponham à frente de todos. Confuso, não?

Se os pais podem manter este comportamento e levar as suas crianças, nuas ou semi-nuas, para locais públicos? Claro que sim. Mas que o façam conscientes da excitação sexual que alguns podem sentir ao observá-las ou fotografá-las. Sendo que, neste último cenário, não poderão jamais controlar o destino dessas mesmas fotografias.

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