Sabe se anda a comer mal? Há vários sinais físicos que o corpo lhe dá

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A alimentação não é um capricho, como se pudéssemos andar dias a fazer estragos e compensar nos seguintes. Comer mal prejudica realmente a saúde. E o corpo lá nos vai dando uns sinais a que convém estarmos atentos.

Texto DN Life

CANSAÇO

É logo das primeiras reações do organismo e um dos indícios mais reveladores de que estamos a comer mal, seja por defeito ou por excesso. “É cada vez mais evidente que uma alimentação equilibrada previne o aparecimento de certas doenças – cardiovasculares, diabetes, obesidade –, além de desempenhar um papel importante no controlo e alívio dos sintomas de outras”, sublinha Patrícia Almeida Nunes, dietista do Hospital de Santa Maria.

Comer aquém das nossas necessidades traduz-se em falta de energia e carência nutricionais que provocam, em si mesmas, cansaço. Por outro lado, comer demasiado canaliza o fluxo sanguíneo para o aparelho digestivo e compromete a circulação no cérebro, a par de uma série de outras coisas decorrentes de se comer açúcar, gorduras e sal a mais. É certo que aquela feijoada aos domingos só faz é bem, tal como alguma preguiça de vez em quando. Muito diferente de andarmos em fraqueza constante a arrastar-nos pela vida.

IRRITABILIDADE

Sabe quando saímos do trabalho tarde, sem nada para enganar a fome e já só nos apetece bater em gente à nossa volta? Tudo porque os hidratos, proteínas e lípidos que comemos são digeridos para se converterem em aminoácidos, açúcares simples e ácidos graxos livres que passam para a corrente sanguínea, a fim de serem usados como energia pelos tecidos e órgãos.

Quanto mais tempo passa desde a última refeição, mais estes nutrientes no sangue diminuem e fazem o organismo entrar num estado de alerta que dispara a produção de hormonas relacionadas com o stress, como o cortisol e a adrenalina.

“A pessoa pode ter vontade de ingerir comida processada e rica em açúcares, que gera um pico momentâneo de felicidade, mas rapidamente terá fome de novo”, explica a nutricionista Rita Rocha de Macedo.

Outros estudos relacionam esta irritabilidade com a carência de ácidos gordos essenciais, vitaminas B6, B9, B12 e D, magnésio, zinco e aminoácidos como o triptofano, que ajuda a regular o sono e nos faz mais felizes.

SUDORESE

Há quem transpire bastante no dia-a-dia, quase sempre por razões genéticas ou até uma eventual doença. Porém, suar mais do que o habitual pode também querer dizer que tem andado a exceder-se na ingestão de cafeína, álcool e outros alimentos que elevam naturalmente a temperatura corporal, como pimenta, malagueta, cebola, alho, caril ou gengibre, a compensar o mal que nos fazem com o bem que sabem.

Lógico que não precisa de cortar nada pela raiz: fundamentalismos fazem pior à saúde do que tudo o resto. Mas dado que o seu organismo parece estar a queixar-se, reduza as quantidades.

ACNE

Tal como a sudorese, o acne é sobretudo hormonal ou costuma estar relacionado com problemas mais graves em mulheres adultas (como a síndrome do ovário poliquístico, associado a problemas metabólicos, hiperandroginismo, ovulação irregular e infertilidade).

E sendo assim é bom saber – por estar ao nosso alcance evitar – que demasiado leite ou excesso de alimentos com muito açúcar podem ser aquilo que está a provocar o seu acne, segundo pesquisas que confirmam o papel efetivo da dieta nas ocorrências dermatológicas. Os mesmos estudos sugerem que queijo e iogurtes estão isentos desta responsabilidade, apesar de devermos comê-los com moderação.

BARRIGA INCHADA

Quem padece deste mal conhece o desconforto de ter o ventre distendido, gases a acumularem-se com o passar das horas, a roupa a assentar pior do que de manhã.

A boa notícia é que basta (re)começar a comer melhor para se livrar desse inchaço abdominal, a saber: cortar nos produtos processados e refrigerantes com gás; limitar o sal a cinco gramas diários; beber água; comer devagar, nas proporções certas, mastigando cuidadosamente; consumir iogurtes naturais, kefir e outros probióticos (bactérias benéficas que melhoram a saúde do intestino).

Importante ainda é adequar a ingestão de lactose e glúten, embora sem bani-los a menos que haja razões clínicas.

PRISÃO DE VENTRE

Tão doloroso como ter a barriga inchada é a prisão de ventre, resultante da falta de fibras na alimentação uma vez que aqueles que sofrem dela se esquecem frequentemente de incluir legumes, fruta fresca, frutos secos e cereais integrais nas refeições principais, além de beberem muito menos água do que deviam para regular o trânsito intestinal.

Um cocktail que pode ajudar bastante (sem, no entanto, dever substituir nada do que acabámos de listar) é bater no liquidificador alguma papaia, umas rodelas de ananás e um pouco de água de coco fermentada para ligar. A papaia tem enzimas que ajudam a decompor as proteínas no estômago, ao passo que o ananás atua como uma fibra insolúvel que equilibra bactérias boas e más no intestino. Beba este preparado ao pequeno-almoço ou ao lanche e prove, muito literalmente, os benefícios.

CONSTIPAÇÕES

Está sempre constipado? Com herpes recorrentes, infeções urinárias e outra que tais? Estudos indicam haver uma relação direta entre o que comemos – ou não – e a falibilidade do sistema imunitário, que assim se abre a doenças infeciosas que não teríamos de outro modo. A começar pela falta de vitaminas e nutrientes essenciais das frutas e legumes, que deviam compor metade do prato em conjunto com ¼ de cereais integrais (a variar entre trigo, cevada, quinoa, aveia, arroz e massa integrais) e ¼ de proteínas saudáveis (peixe, frango, feijão, nozes).

“Atenção que tudo o que vá além das nossas necessidades será prejudicial”, alerta a nutricionista Rosa Domingos, para quem hortícolas a mais irão causar distúrbios gastrointestinais, tal como abusar da fruta favorece o aumento dos triglicéridos e o descontrolo da glicemia (se a pessoa for diabética). O ideal é incluir diferentes tipos na alimentação diária, dado nem todas terem os mesmos níveis de água, frutose, vitaminas, fibras e minerais.

QUEDA DE CABELO

E quem diz queda em maiores quantidades do que o habitual, diz o cabelo a partir facilmente ao pentear, dois sinais que sugerem uma alimentação com carências de proteína, vitaminas (em particular a biotina ou vitamina B7), ómega 3, minerais como ferro, zinco, magnésio e selénio (que fomentam o crescimento folicular).

Por norma, o cabelo ressente-se quando a pessoa embarca em dietas demasiado restritivas, abusa do álcool ou come demasiados alimentos processados ricos em gordura e açúcares, em detrimento de fruta e vegetais. “Promover uma alimentação e estilo de vida saudáveis é crucial para a manutenção da saúde física e mental”, reforça Rita Rocha de Macedo, autora de A Dieta Prática.

Na prática, diz, são de privilegiar as gorduras mono e polinsaturadas, os frutos oleaginosos ao natural, azeite em vez de manteigas e óleos. “Abrir as refeições com uma sopa e incluir fruta, hortícolas, leguminosas, carnes brancas, peixes ricos em ómega 3, ovos e laticínios magros”, ensina ainda a nutricionista, adepta do padrão alimentar mediterrânico.

MAU HÁLITO

Se é verdade que a halitose pode resultar de má higiene oral, cáries e até stress, não deixa de ser verdade que a má alimentação é uma das causas mais frequentes do problema. A começar por uma ingestão excessiva de queijo, carne, azeitonas, ovos, leite, maionese, chocolate, presunto e outras comidas condimentadas e ricas em gorduras, a resultar em níveis elevados da acidez responsável pelo cheiro desagradável no hálito.

O mesmo com alimentos como alho, cebola, brócolos, picles, couve-de-bruxelas, café ou álcool, que durante a digestão formam vapores nada recomendáveis a pessoas que pretendam conversar ou beijar-se depois.

Beber pouca água e tomar medicamentos para emagrecer são outros dois fatores que contribuem para agravar a halitose, por alterarem a quantidade e composição da saliva. Ah, e evite ficar muitas horas de estômago vazio: a queda de açúcar no sangue fará o organismo começar a queimar gordura para obter energia, num processo envolvendo trocas gasosas que em nada abonam a favor do bom hálito.