Sardinhas, atum ou feijão. Quanto tempo dura a comida em conserva?

São fundamentais em situações de emergência, incluindo esta que o coronavírus nos faz atravessar agora. Mas quanto tempo duram algumas das conservas que temos na despensa? Isto, claro, sem perderem nenhuma da qualidade esperada ou as características mencionadas nos rótulos?

Texto de Ana Pago

Uma lata de atum
Há em óleo, azeite, tomate, ao natural, para todos os gostos. Atum em óleo chega a ter o dobro de ómega (1 g em vez de 0,5 no fresco), mas deve ser sempre bem escorrido. Atum em água contém menos gordura. Quanto à validade, é de três anos para atum ao natural e de cinco anos se conservado em óleo vegetal. Depois de aberto, o atum em óleo vegetal deve ser consumido em até um dia (guardado fora da lata) e o atum ao natural no próprio dia.

Uma lata de sardinhas
Como mantêm a espinha e algumas vísceras, fornecem mais ómega 3 do que as frescas e até mais cálcio do que um copo de leite, mas perdem vitaminas C e B1. Em óleo vegetal, dura cinco anos fechada na lata e pode ser consumida até um dia após a abertura, ou até dois dias se for ao natural, ou num máximo de três dias se tiver molho de tomate. Nos dois últimos casos, o prazo de validade é de três e quatro anos, respetivamente.

Uma lata de feijões
Podem durar até cinco anos fechados na lata de origem, mas uma vez aberta há que escorrer completamente o líquido, lavar os feijões em água corrente, consumir sem necessidade de cozinhar (ou sequer de aquecer) e conservar os restantes no frigorífico, de preferência num frasco de vidro com tampa. Comer estas sobras nos três dias seguintes.

Uma lata de grão
Indispensável numa dieta alimentar equilibrada, os mesmos princípios que se aplicam ao feijão servem para o grão-de-bico cozido, pronto a consumir. Os próprios prazos de validade a respeitar caso estejam fechados ou tenham sido abertos são idênticos.

Uma lata de milho
Usado em saladas e acompanhamentos, o milho enlatado perde boa parte da proteína, das vitaminas e dos minerais do milho original, além de lhe acrescentar quantidades pouco recomendáveis de sódio para dar sabor. Em contrapartida, costuma ser menos calórico na versão de lata visto que os hidratos de carbono das espigas são parcialmente transferidos para os grãos ao serem cozinhadas num tacho. O prazo de validade é de dois anos.

Uma lata de ervilhas
Tal como o milho, ervilhas enlatadas perdem vitaminas, fibras, sais minerais e sabor por comparação com as frescas, com a desvantagem acrescida do sódio em que são banhadas em nome do sabor. O prazo de validade é de sete dias após terem sido abertas e de dois anos com a lata por abrir. Mas se a ideia é ter ervilhas sempre à mão e que durem muito tempo, então as congeladas são uma opção com todos os prós, sem contras.

Uma lata de ananás
Tem a vantagem inegável de durar muito tempo (até três anos) e de nos poupar o trabalho de cortar a casca rija e áspera do ananás. Contudo, ao ser cozido na lata, perde vitaminas, minerais e uma enzima presente no fruto ao natural que facilita a digestão (a bromelina). Já para não falar na calda doce que aumenta em 210% os hidratos de carbono. Consumir em cerca de três dias depois de se abrir a lata.

Uma lata de pêssegos
O açúcar excessivo e as perdas significativas do que faz bem à saúde no ananás valem, também, para os pêssegos em calda, despojados de muito do seu valor nutricional e até do sabor típico. A comê-los, exclua sempre o molho, que é o que faz pior (20% dele é açúcar puro). Duram cerca de três anos fechados. Após abertos, não devem exceder os três dias no frio.

Uma lata de molho de tomate
Serve para os momentos de maior aflição na cozinha em que não nos dá jeito perder tempo a fazer um molho de tomate caseiro, porém há que ter em conta que o produto enlatado tem muito mais sal do que aquele que faríamos em casa. E açúcar. E amido. E provavelmente conservantes. A validade é de dois anos e não deve exceder uma semana no frigorífico depois de aberta a lata.

Uma lata de tomate pelado
Ao contrário do molho de tomate, esta versão é mais pura e por isso não nos cobra um preço tão elevado em matéria de saúde, apesar de os tomates conterem menos vitamina C e mais sódio (e calorias) do que se fossem ao natural. Por outro lado, são também mais ricos em licopeno, um poderoso antioxidante. Prazo de validade: dois anos.