Saúde mental: as redes sociais estão a matá-la

O mundo nunca esteve tão conectado como agora. As distâncias encurtam-se e as saudades são colmatadas com o contacto permanente através das redes sociais. Conseguimos ver o que está a acontecer, em tempo real, em lugares tão distantes como Japão, Brasil, Estados Unidos ou Argentina. Mas nem tudo são vantagens na crescente dependência das tecnologias.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de iStock

Ao olharmos para os seis pontos abaixo, percebemos que a necessidade de estar sempre conectado e de partilhar a fotografia perfeita está a deixar-nos mais isolados e infelizes do que nunca.

AUTOESTIMA

Todos temos o nosso quinhão de inseguranças. Conseguimos falar de algumas. Outras são demasiado pessoais para partilhar com quem nos rodeia. No entanto, estar constantemente a seguir as fotografias perfeitamente retocadas do Instagram ou seguir os ex no Facebook pode causar danos graves à forma como nos vemos. Um estudo da Universidade de Copenhaga concluiu que a grande maioria das pessoas sofre de «Inveja do Facebook», ou seja, sentem vontade de ter a vida que acham que os outros têm. As pessoas que não tinham Facebook mostraram-se mais satisfeitas com as suas vidas. É importante ter a consciência do tempo dispensado a fazer scroll e saber quando parar para dar importância ao que se está a passar fora das redes sociais.

RELAÇÕES HUMANAS

Enquanto seres humanos, é fulcral que consigamos relacionar-nos uns com os outros, criando laços e afetos e partilhando experiências. Contudo, essas relações estão condicionadas quando estamos presos aos ecrãs, mais preocupados com o que se passa nas «vidas digitais» do que na vida real. É cada vez mais comum que as pessoas se sintam deixadas de parte e sozinhas quando olham os posts e percebem que os amigos estiveram juntos sem convidar. Esta pesquisa publicada no American Journal of Epidemiology falou com 5,208 pessoas e concluiu que, no geral, o grupo sentia-se mais deprimido com o uso regular do Facebook. Para combater esta sensação de isolamento, o melhor é fazer um esforço consciente para viver as relações de forma real. Esteja com as pessoas, saiba da vida delas pelo que elas lhes contam e não pelo que é postado nos perfis.

MEMÓRIA

As redes sociais podem ser uma ferramenta importante para relembrar momentos felizes ou, como acontece na grande maioria das vezes, alertar para os aniversários. No entanto, podem também fazer-nos relembrar os eventos de forma distorcida e não como realmente aconteceram. A verdade é que as pessoas passam mais tempo a tentar tirar a fotografia perfeita do que a desfrutarem do momento que estão a viver. Seja numa praia, num miradouro, numa festa, num jantar, aquela fotografia representa o momento ideal que está, na prática, a passar-lhe ao lado. Quantos momentos que não estão no Instagram são aqueles que vale a pena recordar? Aliás, são esses mesmo que valem, não são?

SONO

Todos sabemos a importância de dormir as horas recomendadas e sem interferências. Para o corpo, mas sobretudo para combater o desgaste mental. O problema é que levamos os telefones para a cama, ficamos a fazer scroll já deitados e esse comportamento em nada ajuda o cérebro a desligar. Pelo contrário. É mais comum pessoas viciadas nas tecnologias terem perturbações de sono do que pessoas que desligam os aparelhos pelo menos uma hora antes de ir para a cama. Tente seguir esta regra – afinal, ainda há relógios com despertador para o acordar – e vai notar a diferença no sono.

DÉFICE DE ATENÇÃO

É cada vez mais preocupante o défice crescente de atenção, sobretudo nas gerações que já nasceram na era da tecnologia. Com a quantidade imensurável de informação que nos é atirada todos os dias, nas redes sociais, é muito difícil uma pessoa focar-se numa conversa, num assunto, num momento. E esta dispersão causa um desgaste mental que podemos não perceber de imediato, mas está a acontecer. E, sobretudo, está a negligenciar o que está a acontecer à sua frente. Seja uma conversa com um amigo, o seu trabalho, um filme. Tente priorizar as situações e não pegue no seu telefone de cinco em cinco minutos.

SAÚDE MENTAL

Por tudo o que foi falado antes, a crescente dependência das redes sociais tem causado um aumento de distúrbios mentais como ansiedade ou depressão, por exemplo. É importante estar atento aos sinais. Se sentir que está a sofrer mudanças de humor, irritação, se sente que precisa de ir às redes sociais para se sentir melhor, pode ter um problema para resolver. Crie mecanismos de defesa, horas em que não há telefones por perto (muito menos às refeições), e faça detox regulares do telefone, por exemplo, aos fins de semana.