Se és homem, luta pelos direitos das mulheres

Gonçalo Martins é estudante de Ciências Políticas, tem 20 anos e colabora com o Movimento Democrático de Mulheres, onde fez um estágio. (Gonçalo Villaverde / Global Imagens)

Sim, o título é uma provocação. Mas também é um apelo. Porque, ao contrário do que muitos pensam e afirmam, esta luta não só está longe de ser ganha, como sofre atualmente retrocessos. O eurodeputado João Pimenta Lopes, o vice-presidente da Comissão para a Igualdade de Género, Carlos Duarte, o estudante Gonçalo Martins e o sociólogo Ricardo Loureiro têm consciência disso. E assumem como sua a causa da igualdade de género.

Texto de Catarina Pires

Foi por causa do olhar da investigadora Ana Nunes de Almeida, a ideia deste artigo. O olhar ligeiramente irritado (isto sou eu a dizer) perante uma Aula Magna cheia de mulheres, para a apresentação e debate do estudo “As Mulheres em Portugal, Hoje”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Homens estavam poucos e a socióloga, presidente do conselho científico do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, especialista na área da família, fez notar o facto, de passagem, numa das suas intervenções. Como quem diz: “é o costume”, como quem diz “deviam estar aqui a ouvir isto”.

Deviam. Porque se estivessem – ali ou onde quer que se discuta, debata, trabalhe ou intervenha pela igualdade de género e os direitos das mulheres -, talvez os avanços fossem maiores, os números da violência doméstica e do femicídio fossem menores, as diferenças salariais por trabalho igual não persistissem nos 16 por cento a menos para as mulheres há anos e anos, não tivéssemos que esperar, na melhor das hipóteses e se tudo correr de feição, cinco ou seis gerações (mais de cem anos), para uma partilha equitativa das tarefas domésticas, e por aí fora.

Deviam. E não é só porque os direitos das mulheres são uma questão de direitos humanos. É porque a igualdade entre homens e mulheres não as beneficia apenas a elas, também os beneficia a eles.

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