Sexo: “Se os casais não falarem sobre o que gostam, sujeitam-se ao sexo possível”

Facto: o sexo tende a esfriar à medida que a união evolui, por mais perfeito que seja o casal. Facto: preferimos mil vezes ficar sem prazer do que pensar, sequer, em falar ao parceiro dos nossos desejos e receios. Afinal, quando é que vamos começar a dizer ao outro o que nos vai na alma?

Texto de Ana Pago | Fotografia de iStock e Shutterstock

Quem julga que o que mais prejudica o sexo entre o casal será a rotina, o clássico de tirar tudo exceto as meias, ritmo de vida alucinado ou o cansaço em que andamos, está enganado (embora manter as peúgas calçadas não ajude, de facto). “Não há nada mais lesivo em relações longas do que a falta de comunicação entre o casal”, alerta a investigadora em desejo e saúde sexual Kristen Mark, professora da Universidade do Kentucky, EUA. E se nos avisa, nossa amiga é.

Isto porque comunicar mal acerca do sexo significa quase sempre que estamos a comunicar mal noutros aspetos importantes da vida, explica a psicóloga e sexóloga Cristina Mira Santos, considerando que os amantes, regra geral, sabem muito pouco de sensações e do que lhes dá prazer.

“O nosso inconsciente coletivo está marcado pela vergonha, como se sexo fosse uma coisa suja, e então os casais sujeitam-se ao que têm até já não dar mais”, explica a especialista, apontando os inúmeros fatores de desgaste que ajudam a arruinar o sexo: críticas a toda a hora, fadiga física e mental, perda de intimidade, quebra do vínculo emocional entre ambos.

Verdade seja dita, o outro não tem como adivinhar o que nos passa pela cabeça se não falarmos.

Calar, porém, resulta mil vezes pior do que todos os outros fatores, sublinha a coacher sexual: “Os parceiros não contam abertamente as suas fantasias, o que pensam, do que não gostam, e por não dizerem o que desejam sujeitam-se ao sexo possível”, diz.

Verdade seja dita, o outro não tem como adivinhar o que nos passa pela cabeça se não falarmos. E quanto mais tarde ganharmos esse hábito, pior.

sexo

Foi pelo menos essa a conclusão de um estudo realizado em conjunto pelas universidades de Southampton e College London, na Grã-Bretanha, junto de 11 508 pessoas entre os 16 e os 74 anos: todas asseveraram que o desejo vai esmorecendo à medida que o relacionamento se prolonga no tempo, sem que nem um nem outro conversem sobre isso.

“Mais do que parecer impossível, é grave haver pessoas com medo de expressar ao companheiro aquilo que sentem”, lamenta a mediadora familiar Margarida Vieitez, aconselhando os casais a dizerem sempre o que lhes vai na alma, com abertura e serenidade, sem alimentarem ressentimentos pelo que não recebem do outro.

Pessoas que discutem abertamente as suas fantasias, orientam o parceiro para o prazer e se entregam a ele sem vergonhas mantêm a chama acesa por mais tempo.

Sobretudo porque o mesmo estudo britânico indica que aqueles que discutem abertamente as suas fantasias, orientam o parceiro para o prazer e se entregam a ele sem vergonhas mantêm, também, a chama acesa por mais tempo.

“Se ambos derem o passo de falar das aventuras sexuais que gostariam de ter, e depois se dispuserem a embarcar nelas juntos, a satisfação é garantida”, confirma a cientista do sexo Kristen Mark.

E como podemos nós falar disto com o outro, afinal? Assim sem papas na língua, mas também sem entrar a matar?

Para começar, construindo uma base honesta de intimidade que lhe permita ir direto ao assunto sem melindrar ninguém, sugere a psicóloga Cristina Mira Santos.

“Abra o coração ao parceiro no timing certo, assumindo a responsabilidade pelo seu próprio prazer, e aproveite as sensações sem forçar nada.”

E, claro, fuja de guiões maçadores, diz a especialista: “Está a ver quando o sexo parece ser sempre à mesma hora, na mesma posição, a despachar para irem dormir? Pois não devia.”

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