O segredo para uma boa vida sexual? Uma agenda

As agendas servem para planear reuniões, consultas e outras tarefas mais ou menos enfadonhas de que nos podemos esquecer. Mas também podem dar uma ajuda à vida sexual.

Texto de Ana Pago

Apontamos na agenda análises clínicas. Exames da escola ou do médico. Reuniões, entregas de relatórios no trabalho, almoços de família. Mas as agendas (sejam de papel, no telemóvel ou no computador) podem servir também para assinalar… sexo. Mesmo que seja impossível prever quando a vontade chega. Ou até se chega…

Ora, é justamente por isso que deve programá-lo: para não ficar sem ele, conclui uma pesquisa realizada por investigadores da Universidade Ruhr de Bochum, na Alemanha, e divulgada na publicação científica The Journal of Sex Research. Depois de analisarem dados de perto de mil parceiros referentes à excitação, graus de inibição e até traços de personalidade, os especialistas concluíram que o sexo planeado traz os maiores índices de satisfação ao casal.

“Agendar o sexo pode ser a solução para garantir que os casais arranjam tempo para namorar, antes que se percam por completo um do outro”, diz a psicóloga Cristina Mira Santos.

“Pode ser a solução para garantir que os casais arranjam tempo para namorar, dê por onde der, antes que se percam por completo do outro”, diz a psicóloga e sexóloga Cristina Mira Santos, apoiada nos inúmeros amores deteriorados que vê em consultas. “A espontaneidade funciona muito bem em relações recentes e nos filmes, mas depois há que treiná-la para não morrer.”

Se isso implica reservar duas horas de segunda-feira para um jantar especial ou a madrugada de sábado para algo mais, pois que seja, aplaude a terapeuta. “Aquilo que se perde em improviso ganha-se em energia sexual a partir do momento em que ambos se comprometem a encontrar um momento para estarem sozinhos os dois, sem os miúdos por perto, a redescobrir o erotismo que entretanto foram desaprendendo.”

Isto porque, de um modo geral, apuraram os cientistas, pessoas meticulosas e com queda para o planeamento antecipado noutras áreas da vida demonstram um melhor desempenho também a nível sexual, com menos inibições a resultarem em maior prazer para si mesmo e para o parceiro (esta correlação é especialmente notória em mulheres heterossexuais envolvidas com homens mais conscientes e empáticos do que o habitual).

Outra conclusão importante é a de que quem é consciencioso tem igualmente mais hipóteses de viver relações duradouras, românticas e felizes, já que o facto de adiar algumas questões pessoais para planear a intimidade – reservando tempo de qualidade para ela – melhora a comunicação do casal e o empenho em resolver eventuais problemas que surjam, decorrentes da convivência.

Se agendar o sexo for a única forma de nos lembrarmos de o fazer, vamos a isso.

O que nos mostra que relações longas não são o busílis, reforça Cristina Mira Santos. “O problema é dar essa durabilidade por garantida, deixar de investir no parceiro, e quando damos por isso temos as rotinas e o comodismo a subjugarem-nos ao ponto de haver dois amigos a viver juntos, não dois amantes.”

E sim, acontece a muito boa gente esta perda da intimidade que existia no início da relação, desgastada por críticas constantes, vazio emocional e muito cansaço físico e psicológico. “Se agendar o sexo for a única forma de nos lembrarmos de o fazer, então mais vale ir já anotar essa tarefa”, sublinha a especialista.