Sexo: 6 mitos em que sempre acreditámos (e a ciência rebate)

Sexo é demasiado bom para ficarmos a pensar que provoca enfartes do miocárdio e outras coisas que tais. Sobretudo não sendo verdade. Ou pelo menos não exatamente daquele modo que sempre ouvimos dizer.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

PODE PROVOCAr ATAQUES CARDÍACOS

Se alguém com problemas cardíacos é aconselhado a desistir da prática intensa de exercício físico, como não ter medo de que o sexo possa fazer mais mal do que bem? Às tantas ainda lhe causa um ataque fulminante, uma pessoa sabe lá! Na realidade não é assim: «Parece muito improvável que a atividade sexual seja um gatilho relevante do ataque cardíaco», afirma Dietrich Rothenbacher, professor no Instituto de Epidemiologia e Biometria Médica da Universidade de Ulm, Alemanha, e investigador principal de um estudo publicado na revista científica Journal of the American College of Cardiology. O paciente até pode ter um ataque na cama, mas tê-lo-ia de qualquer modo, não pelo sexo. A menos que esteja a fazê-lo com alguém que não o/a parceiro/a, avisam os cientistas: aí sim, é provável que a excitação fora do normal e a estimulação das glândulas suprarrenais façam das suas.

QUEIMA MUITAS CALORIAS

Dito isto, o estudo de que ainda agora lhe falávamos coloca o sexo na categoria de atividade física moderada, comparável a um passeio rápido (nada mais exigente do que isso). Pode perfeitamente integrar o regime de 30 minutos diários de exercício recomendado pelos médicos, inclusive a doentes cardíacos, sublinham os investigadores. Seja como for, os casais não se alongam mais do que seis minutos no sexo, nem queimam mais do que umas escassas 21 calorias. E isto quando outra pesquisa da Universidade de Montreal, Canadá, divulgada no jornal académico PLOS, indica que os homens poderiam queimar 100 calorias e as mulheres 70 com uns bons 20 minutos de sexo vigoroso. Sem esquecer os preliminares, claro.

É MELHOR TER A BEXIGA VAZIA

A ideia de que se deve sempre urinar antes de ter relações é outra que até fazia sentido pela simples razão prática de que ninguém quer que uma vontade súbita e irreprimível de ir à casa de banho lhe prejudique o desempenho. Contudo, especialistas em infeções urinárias adiantam que ter urina armazenada na uretra durante o ato sexual pode impedir que as bactérias vaginais sejam empurradas para dentro da uretra. Já para não falar no facto de diminuir a vontade de urinar após a relação, essa sim considerada fundamental para ajudar a eliminar os resíduos da uretra e reduzir as probabilidades de uma eventual infeção urinária tanto em mulheres como nos homens.

SE AS COSTAS DOEM DEVE ABSTER-SE

Parece ser a medida mais sensata à primeira vista, porém não tem de significar o fim do prazer para quem já se vê privado de tanta coisa à custa das dores nas costas. É mais uma questão de ajustar as posições do que desistir do sexo, sublinham investigadores da Universidade de Waterloo, Canadá, que pela primeira vez criaram um guia que recomenda diferentes posições e técnicas de penetração a partir dos movimentos que descobriram causar dores na coluna. «Até agora, a posição de lado na cama era recomendada por médicos como sendo boa para todos, mas percebemos não ser o caso», explica Natalie Sidorkewicz, a autora principal do estudo publicado na revista científica Spine. Por exemplo, homens com pouca flexibilidade podem apostar antes na posição de quatro, diz a cientista, considerando vital manter uma vida sexual ativa apesar dos episódios incapacitantes.

MENSTRUAÇÃO IMPEDE A GRAVIDEZ

Não e não, gritam os especialistas com todas as letras, uma e outra vez para que não restem dúvidas. É sempre possível uma mulher engravidar se estiver em idade fértil e tiver relações sexuais desprotegidas. Sobretudo se o seu ciclo menstrual for particularmente curto ou irregular, uma vez que a ovulação pode acontecer nos cinco dias que se seguem ao final da menstruação e existe o risco de algum espermatozoide ativo (sobrevivem um máximo de cinco dias no corpo feminino) conseguir chegar ao óvulo e fecundá-lo. Nunca, em circunstância alguma, o período deve ser usado como método contracetivo.

DOR DE CABEÇA É BOA DESCULPA

«Ah e tal, querido, hoje não vai dar, dói-me a cabeça.» No passado a desculpa terá pegado em tantas ocasiões que hoje chega a beirar o anedótico, mas a verdade é que uma equipa de neurologistas da Universidade de Münster, Alemanha, lhe retirou qualquer possível fundamento científico ao apurar que o sexo é um analgésico natural em quadros de cefaleia e enxaqueca. Isto porque além de haver alterações na pressão arterial, o sistema nervoso central liberta endorfinas que trazem um alívio parcial ou total das dores no fim do ato. E sim, está confirmado: se a cabeça a rebentar não lhe der mesmo vontade de brincar com o parceiro, a masturbação tem o mesmo efeito calmante.