Shinrin-yoku: a terapia da floresta que dá banho ao stress

Texto de Ana Pago | Fotografias de I-Stock

Em japonês chama-se shinrin-yoku – significa à letra «banhos de floresta» – e é como se apanhássemos banhos de sol ou de mar mas no meio do verde, a sentir a terra a estalar sob os pés enquanto cheiramos o musgo, as folhas, a humidade e tudo o mais que nos acalma de formas que nenhum ansiolítico é capaz.

Foi Tomohide Akiyama, diretor da Agência Florestal Japonesa, quem primeiro usou a expressão em 1982, referindo-se ao ato de caminhar lentamente pela floresta durante duas ou mais horas, sem correrias, sem telemóveis, relaxando a cada inspiração como se o corpo recuperasse finalmente da sobrecarga dos dias. E não: o shinrin-yoku não cura doenças. Mas previne-as – e da forma mais natural possível.

STRESS

Vivemos em stress constante, ansiosos, desequilibrados, e isso traduz-se numa perda da resistência natural à doença que o shinrin-yoku atenua, ao evitar que o corpo entre automaticamente em modo de sobrevivência em resposta ao stress (o famoso lutar ou fugir que partilhamos com os outros animais, com a diferença de que eles o desligam passado o perigo). E não é só o stress agudo que desencadeia esta reação do sistema nervoso simpático: emoções complexas e excesso de tecnologia têm também tudo a ganhar com o descanso que a floresta proporciona.

EQUILÍBRIO

Do mesmo modo, está provado pela ciência que a terapia da natureza tem um efeito de ajustamento fisiológico (diferente consoante a pessoa), que incentiva o organismo a autorregular-se ao estimular a atividade do sistema nervoso parassimpático. Quanto mais gostamos daquilo que abarcamos com os cinco sentidos – ouvir um riacho ou o vento nos ramos, sentir os diferentes cheiros, ver o colorido das folhas, abraçar as árvores –, maiores serão os benefícios ao nível do relaxamento do corpo.

RITMOS

Parece haver uma sincronia entre os ritmos humanos e naturais que explicam o sentimento de conforto sempre que caminhamos numa floresta. Os cientistas não sabem muito bem se tal remonta aos sete milhões de anos de evolução em que vivemos no meio da natureza e nos adaptámos a ela, contudo não duvidam de que descansar entre árvores é fortificante, promove o bem-estar, afasta depressão e ansiedade e incentiva o organismo a regular-se naturalmente.

PRESSÃO

Pode não parecer grande coisa: caminhar numa floresta a ouvir pássaros e a tropeçar em raízes, vendo nesgas de céu azul entre a folhagem. Porém, o que os especialistas já mediram foi uma diminuição da pressão arterial após 15 minutos de shinrin-yoku; recuperação do sistema imunitário deficiente (com mais células que combatem tumores e infeções); redução do stress; relaxamento do corpo. É encorajador, dizem, que os banhos de floresta ganhem popularidade no mundo à medida que se descobrem os seus efeitos. E tudo indica que estes duram pelo menos uma semana.

CASA

Não admira que seja o Japão a liderar o shinrin-yoku, com florestas a ocuparem 69 por cento da área total do país. O que não significa que não possamos todos diminuir o stress causado pelos ambientes urbanos recorrendo a soluções perto de casa, como parques, matas, jardins, serras. Na verdade, cientistas da Pensilvânia, EUA, provaram que uma simples janela já faz diferença: doentes com vista para a natureza, após serem operados à vesícula, não só tiveram menos dores como recuperaram mais depressa e saíram do hospital antes dos doentes com vista para um muro.