SIDA: Por que continua esta doença a espalhar-se (e a matar)?

Assinala-se este sábado o Dia Mundial da Luta Contra a Sida. A OMS lembra que atualmente, 37 milhões de pessoas vivem com HIV, sendo que apenas 22 milhões estão em tratamento. Mas, afinal, por que continua esta epidemia a matar mais pessoas?

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

O alerta da UNICEF é claro: cerca de 360 mil adolescentes vão morrer de SIDA ou de doenças relacionadas até 2030 se não houver qualquer progresso na investigação, tratamento e prevenção.

Ainda assim, com base em projeções e tendências atuais, estima-se que o número de novas infeções na população até aos 19 anos represente uma queda em relação ao registo de pessoas infetadas atualmente.

Em 2017, cerca de 1,8 milhão de pessoas foram infetadas com HIV. O compromisso era acabar com a SIDA até 2030.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) são 37 milhões as pessoas que vivem com HIV, sendo que apenas 22 milhões estão em tratamento. Em Portugal, são cerca de 45 mil as pessoas infetadas com este vírus.

A mesma instituição indica que o «medo, o estigma e a ignorância» podem ser os principais fatores para que esta epidemia não termine.

«Em 2017, cerca de 1,8 milhão de pessoas foram infetadas com HIV. O compromisso era acabar com a SIDA até 2030, mas as taxas de novas infeções e mortes não estão a diminuir suficientemente rápido para atingir essa meta», diz a Organização Mundial de Saúde.

«A maioria das novas infeções e mortes por HIV são sinalizadas em grupos de maior risco que permanecem inconscientes, mal diagnosticados ou negligenciados.»

Isto porque, crê a OMS, «um dos maiores desafios de resposta ao HIV permaneceu inalterado durante 30 anos», referindo-se à marginalização e estigmatização das pessoas infetadas. «A maioria das novas infeções e mortes por HIV são sinalizadas em grupos de maior risco que permanecem inconscientes, mal diagnosticados ou negligenciados.»

Segundo a SER+ Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida, os casos em Portugal correspondem à transmissão heterossexual (42,9 por cento), partilha de material para utilização de drogas (38,7 por cento), transmissão homossexual (13,5 por cento) e ainda por transfusão ou utilização hemáticos (0,9 por cento) e transmissão de mãe para filho (0,8 por cento).

Para atingir a meta de erradicar esta epidemia em 2030, Mercy Ngulube, ativista de HIV, do País de Gales, que nasceu seropositiva, sublinha a importância de acabar com o estigma desta doença de vez. «Quando olhamos para nossos esforços para melhorar a luta contra a epidemia em geral, vê-se que o estigma é um grande fator que nos impede», diz, em declarações à OMS.

UNICEF: «Não podemos vencer a batalha contra o HIV se não acelerarmos o progresso na prevenção da transmissão para a próxima geração»

No relatório divulgado esta quinta-feira pela UNICEF, é recomendado também o aumento de testes para diagnosticar o HIV e uma outra abordagem para conseguir que a mensagem chegue aos adolescentes.

«Não podemos vencer a batalha contra o HIV se não acelerarmos o progresso na prevenção da transmissão para a próxima geração», explicou a diretora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, chamando a atenção para os cerca de 700 adolescentes entre os 10 e os 19 anos que são infetados diariamente.

A OMS, aludindo ao tema da campanha deste ano «Know Your Status», recomenda a utilização dos auto-testes, isto é, a possibilidade de as pessoas fazerem o teste do VIH em casa, uma vez que mais de metade dos novos diagnósticos de sida acontecem já em fase adiantada da doença.

Atualmente, existem já vários medicamentos disponíveis para controlar esta infeção. No entanto, a eficácia do tratamento depende da precocidade do diagnóstico.

A Associação Abraço presta serviços na «área da problemática do VIH/SIDA». Se precisar de esclarecer qualquer dúvida sobre esta patologia ligue 217 997 500.


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