Sono é tão eficiente para ganhar músculo como o que comemos

Parece mentira, uma vez que sono e musculação soam quase como opostos na nossa cabeça. Mas dormir é realmente das melhores coisas que podemos fazer pela boa forma.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Não é só a questão de se ficar com umas olheiras até ao umbigo, ou de rabujar com quem nos dirige a palavra antes do primeiro café da manhã: não dormir um sono reparador é responsável por uma reação química no organismo que resulta na perda de massa muscular, a par de um maior armazenamento da gordura de que nos queremos livrar com todas as nossas forças.

É pelo menos esta a conclusão de um estudo divulgado recentemente na revista científica Science Advances, liderada pelo investigador Jonathan Cedernaes, do Departamento de Neurociência da Universidade de Uppsala, Suécia. Boas noites de descanso, segundo os novos dados, têm um papel único e absolutamente imprescindível a equilibrar o processo metabólico.

FUNÇÕES DO SONO SÃO INSUBSTITUÍVEIS. DORMIR NÃO SERVE SÓ PARA CONSERVAR ENERGIA.

«Por si só, a falta de sono é capaz de reduzir os níveis de proteínas, que são os principais componentes dos músculos», explica ao The Guardian o especialista em endocrinologia, metabolismo e medicina molecular, após analisar o impacto genómico e fisiológico de noites mal dormidas no corpo.

«Descobrimos que as funções do sono são insubstituíveis. Dormir não serve só para conservar energia», diz, apoiado em diversas pesquisas que relacionam o trabalho por turnos e as insónias com um aumento do risco de vir a sofrer de doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, diabetes e obesidade.

Sonos curtos e intermitentes levam as pessoas a comer mais e pior, além de reduzir a proteína estrutural, vital para a construção de massa muscular.

O próprio Cedernaes, que numa primeira fase já tinha provado que sonos curtos e intermitentes levam as pessoas a comer mais e pior (ao desregularem as hormonas que controlam o apetite), mostra agora que a falta de sono distorce ainda os níveis de proteínas do tecido adiposo.

Pior: favorece o decréscimo da proteína estrutural, indispensável para a construção de massa muscular, e prejudica funções básicas que resultam numa maior acumulação de gordura no corpo, mesmo se a pessoa come bem e pratica exercício físico.

Claro que nada do que acabámos de dizer serve de pretexto para deixar de treinar. É fácil arranjar desculpas, nós sabemos. Mas também por isso lhe mostramos na fotogaleria como acabar com elas para não arruinar a linha de vez.