Sumos e refrigerantes light associados a maior risco de AVC

Um recente estudo norte-americano, baseado numa amostra de mais de 80 mil mulheres, estabeleceu uma ligação entre o consumo diário de sumos de fruta e refrigerantes diet (ou light) e um maior risco de acidente vascular cerebral e de doença coronária. Yasmin Mossavar-Rahmani, que liderou a pesquisa, explica os resultados à DN Life e, embora reconheça a necessidade de mais estudos, pelo sim, pelo não, aconselha prudência no consumo excessivo destas bebidas.

Texto de Catarina Pires | Fotografia de iStock

As opções diet ou light são vendidas como mais saudáveis ​​do que refrigerantes açucarados e bebidas à base de frutas, mas as últimas pesquisas vêm questionar os seus benefícios para a saúde.

Um estudo publicado na revista Stroke, da Associação Americana do Coração, descobriu que as mulheres mais velhas que bebiam mais bebidas dietéticas tinham um risco maior de acidente vascular cerebral e doenças cardíacas, bem como de morrer mais cedo por qualquer outra causa, comparadas com aquelas que não bebiam ou bebiam menos este tipo de sumos e refrigerantes.

Duas ou mais bebidas light por dia podem significar um risco acrescido de 23% de sofrer qualquer tipo de derrame e de 31% de sofrer um derrame devido à coagulação nos vasos sanguíneos do cérebro

Numa investigação que envolveu uma amostra de mais de 80 mil mulheres em idade pós-menopausa, os cientistas concluiram que as que bebiam duas ou mais bebidas light por dia tinham um risco acrescido de 23% de sofrer qualquer tipo de derrame e de 31% de sofrer um derrame devido à coagulação nos vasos sanguíneos do cérebro, em comparação com aquelas que disseram beber este tipo de bebida menos de uma vez por semana ou nunca.

Isso significa que os refrigerantes e sumos diet, criados como alternativa saudável aos açucarados, não passam de marketing? Yasmin Mossavar-Rahmani, professora associada de epidemiologia clínica e saúde da população da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova Iorque, que liderou o estudo, diz que é preciso «mais pesquisa antes de concluirmos se refrigerantes e bebidas diet ou light são ou não saudáveis.»

Para isso, esclarece, os investigadores têm que se debruçar sobre «quais os edulcorantes que são saudáveis e os que não são, como é que esses adoçantes afetam o microbioma intestinal, como usamos o açúcar no corpo e se estes adoçantes artificiais mudam a maneira como o corpo processa o açúcar».

«Não estudámos os adoçantes artificiais isolados, apenas as bebidas dietéticas, e consideramos que seria prudente evitar quantidades excessivas destas bebidas», diz Yasmin Mossavar-Rahmani.

A cientista chama a atenção de que a sua equipa conseguiu estabelecer uma associação entre essas doenças (AVC, doença cardíaca coronária e morte por qualquer causa) e bebidas dietéticas (refrigerante diet ou bebidas de fruta) em mulheres com alto consumo (mais de duas latas por dia) em comparação com mulheres que não consumiam ou o faziam esporadicamente.

«Embora a associação não implique causalidade e o risco absoluto seja pequeno (2 por 1.000 pessoas por ano), não devemos ignorar estes resultados. Note que não estudámos os adoçantes artificiais isolados, apenas as bebidas dietéticas. Mas, ainda assim, consideramos que seria prudente evitar quantidades excessivas destas bebidas», conclui Yasmin Mossavar-Rahmani.

Beber água, simples, sem gás nem sabores, continua a ser a opção mais saudável.