José Alves: «Se ninguém fumasse, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica não existiria»

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Tosse, expetoração e dificuldade respiratória são os sintomas mais frequentes da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (conhecida pela sigla DPOC). Em 2020, estima-se que seja responsável pela morte de três milhões de pessoas, sendo que a sua principal causa é o tabagismo. Hoje assinala-se o Dia Mundial desta doença. José Alves, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, diz que, se ninguém fumasse, esta doença seria erradicada.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

«O tabaco é o grande problema das pessoas com DPOC. É responsável por 90 por cento dos casos. Se ninguém fumasse, dentro de alguns anos esta doença provavelmente não existiria», diz José Alves, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP).

«A espirometria é essencial para o diagnóstico da doença e o que defendemos é que seja feita o mais cedo possível. Não é preciso esperar até aos 40 anos»

Em declarações à DN Life, o pneumologista lembra a importância do diagnóstico precoce, numa doença que caracterizada pela diminuição do calibre das vias aéreas respiratórias e destruição do tecido pulmonar.

«A espirometria é essencial para o diagnóstico da doença e o que defendemos é que seja feita o mais cedo possível. Não é preciso esperar até aos 40 anos», acrescenta o especialista, referindo-se à «idade recomendada» para a realização do exame para fumadores.

Atualmente, a DPOC afeta cerca de 14 por cento da população portuguesa com mais de 45 anos (cerca de 800 mil doentes).

Esta quarta-feira, a propósito do Dia Mundial da Doença Obstrutiva Crónica, a Fundação Portuguesa do Pulmão lembra os números alarmantes em torno da doença: estima-se que em 2020 a DPOC seja responsável por mais de três milhões de óbitos.

Atualmente, esta doença respiratória afeta cerca de 14 por cento da população portuguesa com mais de 45 anos (cerca de 800 mil doentes).

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O tabagismo é o fator de risco predominante da DPOC

José Alves lembra que, na altura em que os doentes manifestam os primeiros sintomas (falta de ar, tosse ou expetoração), a doença já está avançada.

«As pessoas são doentes ainda antes de terem sintomas, porque estes só se manifestam quando há uma perda da função respiratória em cerca de 40 por cento», explica.

Não é só o tabaco que pode estar na origem da doença. A inalação de fumos domésticos, asma e doenças genéticas também pode levar ao aparecimento desta patologia.

Como se trata a DPOC

Esta é uma doença que tem relevância direta no dia-a-dia das pessoas, devido aos elevados níveis de cansaço e às dificuldades provenientes da falta de ar.

Muitas vezes, os doentes acabam por limitar as suas tarefas diárias e chegam mesmo a ficar em estados de ansiedade e depressão.

«As pessoas que vivem com DPOC têm uma deficiente oxigenação do sangue, portanto não asseguram a oxigenação adequada dos órgãos nobres como o cérebro, o coração, o fígado e o rim», explica um comunicado da FPP.

A reabilitação respiratória é uma das formas de tratamento da doença e, segundo José Alves, está previsto que seja introduzida no Serviço Nacional de Saúde

Tendo em conta o estado debilitado em que os doentes podem ficar, José Alves sublinha a importância de «deixar de fumar já», fazer uma «reabilitação respiratória», que passa «por trabalhar os músculos respiratórios» e, nos casos mais graves, «utilizar oxigénio para ajudar os doentes a respirar».

Existem ainda corticosteroides inalados, administrados a doentes com obstrução grave das vias aéreas e com exacerbações frequentes.

Um desafio de «cortar a respiração»

Para assinalar o Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, a Fundação Portuguesa do Pulmão propõe um desafio esta quarta-feira, 21.

No dia Mundial da DPOC, lançamos-lhe um desafio!Já experimentou respirar por uma palhinha durante algum tempo, com o…

Publicado por Fundação Portuguesa do Pulmão em Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018

«Já experimentou respirar por uma palhinha durante algum tempo, com o nariz tapado? Este é o desafio que lhe propomos durante um minuto – um desafio de cortar a respiração! Este é também o desafio diário de quem vive com DPOC», pode ler-se na página de Facebook da organização.

A ideia é partilhar a sua experiência na página da FPP.