Telemóveis são 10 vezes mais sujos que o assento da sanita (e com muito mais germes)

telemóveis com germes

Aqueles que já alguma vez se lembraram de desinfetar os telemóveis que atirem a primeira pedra aos que nunca o fizeram. Uma coisa é certa: daqui em diante vamos todos pensar duas vezes antes de levarmos o telefone para a mesa.

Texto de Ana Pago | Fotografia da Shutterstock

Pousamo-los em cima da mesa, na cama do bebé, na almofada. Às refeições, com os mesmos dedos que agarram a sandes de carne assada e as uvas (sem talheres que nos salvem), mexemos-lhes como se não houvesse amanhã. Enoja-nos ir à casa de banho e não lavar as mãos, porém somos incapazes de largar os telemóveis. Que assim se tornam bem mais sujos do que a maioria das sanitas, alertam os cientistas, algo nauseados com as descobertas.

Segundo uma investigação realizada por especialistas em biomedicina da Universidade de Tartu, na Estónia, após analisarem os telemóveis de alunos do secundário, todos os aparelhos apresentavam mais de 17 mil cópias de genes bacterianos, incluindo uns quantos potencialmente patogénicos.

Porque as pessoas estão sempre a levá-los para todo o lado, os telemóveis tendem a ficar bastante nojentos.

Outra pesquisa anterior levada a cabo pela Universidade do Arizona, EUA, apurou ainda que telemóveis têm dez vezes mais germes do que a maioria das sanitas, em muitas das quais nem consideramos sentar-nos, quanto mais tocar-lhes.

“Porque as pessoas estão sempre a levá-los para todo o lado, mesmo em situações em que por norma iriam lavar as mãos antes de tocarem no que quer que fosse, os telemóveis tendem a ficar bastante nojentos”, explicou à Time a epidemiologista Emily Martin, professora na Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, EUA.

Por um lado, vamos mexer-lhes para a casa de banho e não devíamos, concorda Charles Gerba, o microbiologista da Universidade do Arizona responsável pelo tal estudo dos germes. Por outro lado, “quando foi a última vez que limpou o seu telemóvel?”, questiona, acostumado a que as pessoas desinfetem o WC e se esqueçam dos telefones, por acharem que a sujidade do primeiro é infinitamente superior.

Felizmente, também existem formas simples de se evitar o pesadelo dos germes, a começar por não levar o telemóvel para a casa de banho.

E isto quando vão acumulando micro-organismos atrás de micro-organismos, dos dedos para o telemóvel e do telemóvel para os dedos. O simples facto de ir para a casa de banho enviar e-mails e puxar o autoclismo com a tampa da sanita levantada – a projetar água saturada de germes e outras partículas suspeitas a seis metros de distância – faz com que seja bastante provável contaminar o telemóvel com coliformes fecais, que então se alojam nas mãos e daí entram em contacto com o rosto, a boca, a comida.

Felizmente, também existem formas simples de se evitar o pesadelo dos germes, a começar por não levar o telemóvel para a casa de banho (a mais lógica e imediata). Caso a dependência não lhe permita o desapego por uns minutos, desinfete-o com uma solução de água misturada com álcool, na proporção de 60 para 40%, aplicada com cuidado para não danificar o aparelho, sugerem os investigadores.

Além, claro, de se insistir na regra de lavar sempre bem as mãos, sublinha o dermatologista Paulo Ferreira, vendo nisso a melhor forma de se controlar a transmissão de agentes infeciosos. “Se tivermos o cuidado de não agredir a pele está tudo bem”, diz, objetivo.