Em tempo de testes: como ajudar o seu filho a estudar

A que horas devem as crianças estudar? Ao fim de semana também se estuda? Como podem os jovens ser incentivados para os exames? Estas e outras questões foram analisadas pela psicóloga e especialista em desenvolvimento infantil, Ana Manta.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

Em altura de preparação para os exames e testes escolares, as dúvidas sobre a organização e métodos a aplicar para ajudar as crianças crescem. «A que horas deve o meu filho estudar?», «devo rever a matéria com ele?», «como posso ajudá-lo a organizar o seu tempo?». Estas são apenas algumas das questões de muitos pais, que a DN Life quis ver respondidas por Ana Manta, especialista em desenvolvimento infantil.

A psicóloga considera que é importante a interação dos pais nas horas de estudo das crianças e considera que é bom definir objetivos desde início.

No caso das crianças mais novas (primeiro ciclo) os pais devem impor horas de estudo?
Não, no primeiro ciclo não se justificam horas específicas de estudo, é bem melhor e mais produtivo os pais lerem com eles, falarem sobre a matéria que está a ser dada para tirarem dúvidas, fazerem exercícios de matemática em conjunto. Tudo isto é estudar, no entanto, sem a carga negativa do estudo.

No 5.º e 6.º ano, quantas horas por dia devem as crianças dedicar à preparação dos testes?
Cada caso é um caso, se a criança já frequenta um ATL ou centro de estudos, então com os pais será útil apenas rever a matéria ou fazerem algumas perguntas. Mais estudo em casa pode ter o efeito contrário: as crianças podem sentir uma pressão que não é positiva.

Se as crianças não frequentarem apoio externo, então aí é importante que os pais os orientem a ler a matéria, a fazer exercícios e no fim fazerem perguntas. Geralmente, os miúdos gostam desta interação com os pais.

Ao fim de semana também se deve estudar?
Em semanas em que há muitos testes, é inevitável estudar ao fim de semana. Pode é fazer um acordo para compensar as crianças. Por exemplo, se a criança estudar e conseguir responder às questões dos pais pode depois ir ao parque, jogar ou fazer algo de que goste.

Para uma criança ou um jovem, estudar durante a noite nunca deve ser opção, pois estes ficam mais excitados e, por vezes, nervosos.

É aconselhável que estas crianças estudem de manhã, tarde ou noite?
Depende sempre das rotinas de cada família, mas as manhãs são sempre mais produtivas. O cérebro está mais desperto. Para uma criança ou um jovem, estudar durante a noite não deve ser opção, pois estes ficam mais excitados e, por vezes, nervosos. Tudo isto pode prejudicar a qualidade do sono.

Devem as crianças do 5.º e 6.º ano estudar em grupo?
Nestes anos – e até ao 9º- é difícil as crianças terem maturidade para orientar e integrar um estudo em grupo, o normal é que se perca facilmente o foco de atenção.

A partir do 7º ano como devem os pais controlar as horas de estudo?
A confiança é a base de uma relação, deve dar-se autonomia mas sob supervisão. Não deve atribuir-se uma carga horária fixa. A regra é que por cada 30 minutos de estudo descansem 10 minutos. É difícil o cérebro de um adolescente manter-se concentrado durante mais do que 30 minutos, daí essa divisão de tempo. Não serve de nada estarem a estudar quatro horas e não reterem informação.

Também é importante que enquanto estudam desliguem os telemóveis ou retirem o som. Hoje o que mais desconcentra os miúdos são as notificações do telemóvel.

Os pais devem estar atentos à matéria que os filhos estão a abordar na escola. «Essa atenção motiva-os», diz Ana Manta

Qual a melhor forma de ajudar os filhos nestas idades?
A melhor forma de ajudar é estar presente. A presença atenta dos pais motiva-os. Cada jovem ou criança tem necessidades diferentes de estudo. Não devemos cair no erro das regras horárias, devemos antes conhecer a criança e perceber o que ela precisa.

Que dicas podem incentivar os jovens a estudar mais?
Os pais devem sentar-se com os seus filhos e definirem objetivos juntos. Depois, passar esses objetivos para um papel e mantê-los visíveis em casa. E, por fim, ir monitorizando se vão sendo atingidos ou não.

Este é um detalhe muito importante porque ajuda à organização e orientação do estudo e as crianças vão ficando motivadas sempre que atingem um dos objetivos. Por outro lado, tentam também perceber o que falhou quando não atingem um dos propósitos. Tudo isto ajuda-os a continuar e a entrar num plano de melhoria.

Estar atento ao que eles estão a aprender é muito importante porque eles percebam que os pais sabem que estão, por exemplo a falar das rochas em Ciências ou do teorema de Pitágoras em Matemática, e essa partilha motiva-os.


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