Mudar de vida: De trás das câmaras para a frente da banca

Mariana Ferreira Ventura deixou a assessoria de imprensa para se dedicar a projetos próprios. Atualmente tem três em mãos, pensados e elaborados por si, mas quer ainda mais.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografias de Orlando Almeida/Global Imagens

Os horários exigentes, a insatisfação e a falta de paciência para os gatos fizeram Mariana Ferreira Ventura questionar tudo. No ateliê, onde tem passado os últimos três anos, vai-se reinventando. Tem dividido a sua vida entre os mercados e a divulgação das suas marcas
nas redes sociais. E agora a Maria, filha de 6 meses que a tem acompanhado nesta aventura.

Mariana agradece sobretudo poder ter a sua filha sempre junto a si. «Um sonho realizado», diz.

Depois de não ter conseguido entrar no Conservatório, onde queria estudar teatro, fez o curso de Turismo na Universidade do Algarve, que nunca exerceu. «Quando regressei a Lisboa, fui trabalhar no Mercado Mundo Mix. Era um evento de divulgação de novos talentos, ligados a artesanato, música, teatro, moda e design.» Esteve lá quatro anos e quando saiu foi para a Lift, uma empresa de consultoria e comunicação.

«Passados uns meses, fui destacada para ir trabalhar para o Rock in Rio. Fiz parte da equipa de comunicação em 2012», diz Mariana Ferreira Ventura, 34 anos, que já não largou a área da comunicação e ainda nesse ano começou a trabalhar para a L’Agence e a Just Models.

Mariana trabalhou com vários atores dos quais ficou amiga, como é o caso de Liliana Santos ou Ana Sofia Martins.

«Fazia assessoria de imprensa e gestão de imagem e de patrocínios. Era a ponte entre os atores e a imprensa», explica a empresária. «Gostava muito do que fazia mas era muito intenso. Participei em eventos e conheci gente que, de outra forma, não conheceria. A Liliana Santos, por exemplo, é uma pessoa que adoro. A Ana Sofia Martins, também. E o João Reis, um verdadeiro gentleman», diz Mariana.

Foi na L’Agence, revela, que deu por si em estado de exaustão, sem horários e com pouca paciência até para os seus gatos. «Quando se trabalha nestas áreas não se tem horários, muitas vezes o fim de semana não existe e dás por ti à meia-noite a enviar e-mails.»

Começou a custar-lhe ir trabalhar. E havia mais: queria muito ter filhos. «Com os horários que tinha, seria muito difícil para mim ser mãe.» Passados três anos, o departamento de atores da Just Models fechou e Mariana viu aí a oportunidade de pôr um ponto final.

«Queria muito fazer algo próprio. Ser artesã.» A pesquisa que fez começou nas velas – primeiro as de parafina, e depois, pelas suas preocupações com a sustentabilidade e a ecologia, as de soja. Mais tarde juntou à sua banca bijutaria, ambientadores naturais, cera para queimadores e revenda de roupa.

Brevemente, Mariana espera lançar uma coleção-cápsula da Little Miss Love (nome do projeto que criou de revenda de roupa) e inaugurar uma loja física, «talvez em Carcavelos».

Neste ano surgiu também a oportunidade de fazer o The Cool Market [um mercado em Carcavelos de divulgação de novos talentos de várias áreas como cerâmica, moda e design] e realizou um sonho.

«Talvez um dia tenha de voltar a um emprego dito normal mas até agora ainda não me arrependi de nada. As pessoas normalmente quando falam de mudança de vida esquecem-se de referir o desafiante e difícil que é fazê-lo», diz.

E explica porquê: «É preciso ser honesta: não é fácil mudar o paradigma e lidar com o facto de não ter um ordenado fixo. Tem de se ter força, existem muitos altos e baixos. Há meses em que não se fatura logo bem. Depois há outros em que é melhor. Até chegar a um certo equilíbrio, é um processo doloroso. No primeiro ano nem sequer tive lucro, foi só investimento. E, claro, aí questionas tudo: “Será que fiz a escolha certa?”»

A viver com o namorado e a recém-nascida Maria, a empresária não tem dúvidas que o apoio que recebeu do seu companheiro e dos familiares mais próximos foi a chave vencedora. «Só continuo no meu caminho porque tive apoio em casa. Nunca fui pressionada nem criticada em relação a nada», confessa.