Tricotilomania: que doença é esta que afeta Sara Sampaio?

Foi através das redes sociais que a modelo da Victoria’s Secret assumiu sofrer de um distúrbio psicológico designado por tricotilomania.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

É uma forma de controlar o nervosismo e ansiedade e caracteriza-se pela necessidade de arrancar os próprios cabelos ou pelos. Tricotilomania – nome deste distúrbio psicológico – manifesta-se pela progressiva falta de cabelo e tensão nervosa ou ansiedade quando resiste em arrancar cabelos.

SARA SAMPAIO FALOU SOBRE O SEU TRANSTORNO ATRAVÉS DA SUA PÁGINA DE INSTAGRAM

Sara Sampaio, conhecida modelo portuguesa, revelou que sofre deste distúrbio, depois de ter sido questionada por um dos seus fãs, através do Instagram, sobre como arranjara as suas sobrancelhas.

«Tenho várias falhas. Uso um lápis [de maquilhagem] para preencher essas falhas», começou por dizer a manequim, que acabou por receber várias mensagens de apoio após a confissão. «Comecei por arrancar as minhas pestanas e, rapidamente, passei para as sobrancelhas», acrescentou Sara, que diz sofrer deste transtorno obsessivo-compulsivo desde os seus 15 anos.

«Sou uma sortuda por as minhas sobrancelhas serem tão fortes e o meu cabelo voltar a crescer, mas desde que me lembro que tenho muitas falhas nas sobrancelhas que conseguem ser facilmente disfarçadas pela maquilhagem», escreveu ainda a modelo da Victoria’s Secret.

De acordo com a organização Saúde Mental Americana, a necessidade de arrancar o cabelo pode «ocorrer em qualquer zona do corpo, sendo que os locais mais comuns são o couro cabeludo, sobrancelhas e pestanas».

O transtorno é mais frequente entre as mulheres e pode ser uma condição crónica

A mesma fonte indica ainda que este é um transtorno mais frequente entre as mulheres e pode ser uma condição crónica.

Existem vários sintomas associados a este distúrbio. O prazer e o alívio ao puxar o cabelo, bem como, a crescente tensão quando resiste em não o fazer são bastante comuns. Entre as causas, a Mental Health America destaca alguns estados emocionais, como a ansiedade ou o tédio. «Um acontecimento stressante, como abuso, conflito familiar ou morte, pode desencadear tricotilomania», lê-se no site da organização.

«A idade mais comum para se iniciar este transtorno é na pré-adolescência», entre os 9 e os 13 anos, com maior incidência aos 12/13 anos.

Um estudo publicado pelo National Center for Biotechnology Information, explica que os doentes podem apresentar outras complicações médicas, tais como «irritações da pele no local onde arrancam os cabelos, infeções e lesões nas mãos pela utilização repetitiva».

«O ato de arrancar o cabelo pode ocorrer em breves episódios distribuídos durante o dia ou durante períodos menos frequentes, porém mais intensos»

O Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais (DSM5) indica que os locais onde o cabelo é arrancado podem diversificar bastante, bem como os períodos em que o transtorno se anuncia.

«Os locais de onde o cabelo é arrancado podem variar com o tempo. O ato de arrancar o cabelo pode ocorrer em breves episódios distribuídos durante o dia ou durante períodos menos frequentes, porém mais intensos, que podem continuar por horas», pode ler-se no DSM5.

O mesmo documento aponta ainda que o «ato de arrancar os cabelos, em geral, não ocorre na presença de outros indivíduos, exceto membros mais chegados da família». «A maioria das pessoas com tricotilomania também tem um ou mais comportamentos repetitivos focados no corpo, incluindo beliscar a pele, roer as unhas e morder os lábios», acrescenta ainda.