Um comprimido que substitui o ginásio? Já existe

Não é uma miragem ou uma invenção, pelo contrário: está cada vez mais perto de sair para o mercado este comprimido que substitui o exercício aeróbico nos seus efeitos. E tudo isto sem esforço nem ter de ir ao ginásio.

Texto de Ana Pago | Fotografias da iStock

Honestamente, o que responderia se lhe dissessem que podia continuar a repetir séries de abdominais no ginásio, como até aqui, ou engolir um comprimido que fizesse o mesmo efeito sem ter de cuspir os bofes? Escolheria suar nas máquinas de musculação, aulas de body pump e body step, ou limitava-se a engolir 100 miligramas com água sem levantar o rabo do sofá?

Por muito que lhe pareça um cenário de ficção científica, a questão torna-se mais pertinente à medida que uma equipa de investigadores liderada por Ronald Evans, professor do Instituto de Estudos Biológicos Salk em San Diego, na Califórnia, EUA, tem vindo a aperfeiçoar o GW501516, popularmente conhecido como 516 ou Endurobol desde que a farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK) o criou na década de 1990.

A versão melhorada do GW501516 queima mais gordura corporal sem qualquer manifestação cancerígena.

«Trata-se de uma substância que desencadeia a mesma reação bioquímica verificada quando alguém corre uma maratona», explica o cientista, a trabalhar desde 2007 nesta réplica dos efeitos do exercício físico no gene PPAR-delta (implicado na absorção de lípidos e no metabolismo).

Os resultados que obteve com os ratos de laboratório Couch Potato e Lance Armstrong mostraram-lhe que sim: o 516 aumentava em 75 por cento a resistência física e o desempenho atlético, razão por que a Agência Mundial Antidoping chegou a proibi-la nas competições.

No mesmo estudo, porém, publicado em 2008 na revista Cell, Evans alertava para o facto de a substância ainda não estar apta para o consumo humano ao ver os ratos desenvolverem tumores, o que demonstrava riscos indiscutíveis para a saúde. Até agora.

Resultados abrem caminhos insuspeitos na prevenção e tratamento da diabetes, cancros e infeções em pessoas sedentárias.

«Um medicamento que promove os benefícios do exercício pode ter aplicações extensas», sublinha o investigador à revista New Yorker, justificando assim a sua luta de anos para aperfeiçoar o comprimido-maravilha, agora cada vez mais perto de chegar ao mercado.

A versão melhorada do GW501516, atestada por um novo estudo publicado na Cell, queima mais gordura corporal sem impulsionar qualquer manifestação cancerígena, o que abre caminhos insuspeitos na prevenção e tratamento da diabetes, cancros e infeções em pessoas sedentárias.

Enquanto isso não acontece, o melhor mesmo é ficar a conhecer as desculpas mais frequentes que damos para não treinar. E, claro, seguir as dicas que lhe deixamos na fotogaleria sobre como acabar com elas de uma vez por todas.