E se um dia vivêssemos sem filtros?

Todos os dias usamos filtros. Mesmo sem nos aperceber que os usamos.

Quando nos apetece dizer uma asneira e nos contemos…

Quando nos apetece dizer uma verdade a alguém, mas engolimos em seco…

Quando temos vontade em dar um murro na mesa (ou mesmo numa certa pessoa), mas respiramos fundo e contamos até mil…

Os filtros que usamos são, no fundo, estratégias de auto-controlo. E cada um usa as suas, umas mais eficazes do que outras.

Vejamos então como funcionam estas estratégias.

1.º passo: perceber o que sentimos e com que intensidade sentimos.

Em primeiro lugar, é preciso perceber o que estamos a sentir. Olhar para dentro e compreender as emoções que estamos a experienciar, e com que intensidade.

Se imaginarmos uma montanha, diríamos que a intensidade das emoções vai subindo, subindo… e, quanto mais subirmos nessa montanha, maior a probabilidade de perdermos o controlo. Assim, quanto mais cedo percebermos que estamos a sentir emoções negativas e que a intensidade destas está a crescer, maior a probabilidade de as controlarmos com sucesso.

Nem sempre nos apercebemos a tempo que já subimos a montanha das emoções e que chegámos ao cume! «Passei-me», dizemos nós. «Fiquei cego e deixei de pensar». E, num ápice, passamos ao acto, sem reflexão prévia.

2.º passo: antecipar as possíveis consequências da manifestação dessas emoções.

O que pode acontecer se deixarmos que estas emoções negativas e intensas se manifestem? Que consequências poderão daí advir? Que impacto poderão ter no meu bem-estar e no bem-estar dos outros? E na relação que mantenho com os outros?

Se as respostas a estas questões forem «pode haver problemas», «a minha relação com os outros pode ser prejudicada», então é mesmo muito importante conseguir parar e encontrar estratégias de auto-controlo.

3.º passo: colocar em prática estratégias de auto-controlo.

Se as emoções estiverem ainda com uma intensidade moderada, é possível selecionar e implementar estratégias de auto-controlo. Quanto mais cedo forem implementadas, maior a probabilidade de sucesso. Estas estratégias podem ser comportamentais (talvez mais fáceis de utilizar numa primeira fase) ou cognitivas.

Podemos respirar fundo, contar até 10 (100 ou 1000…), abandonar a situação (por exemplo, sair do espaço onde estamos) ou delegar em terceiros uma tarefa («dá tu a papa ao bebé, que já estou a sentir-me irritada»).

Podemos ainda tentar mudar a forma como pensamos. Olhar para dentro e perceber o que nos passa pela cabeça. Será que a forma como estou a pensar é adequada? Será que esta é a leitura correcta da situação? Se conseguirmos mudar a forma como pensamos, encontrando pensamentos mais ajustados e positivos, muito provavelmente a intensidade das emoções negativas começa a baixar… começamos a descer a montanha e tentamos encontrar uma resposta mais adequada para aquela situação.

As estratégias de auto-controlo são fundamentais para o nosso bem-estar e para a relação que mantemos com os outros. No fundo, para a vida em comunidade.

Sem elas, como seria?

Como seria se disséssemos sempre tudo o que pensamos?

Como seria se fizéssemos sempre tudo o que nos apetece?

Nem quero pensar nisso.