Um Natal enfeitado de tristeza

Na época do Natal somos inundados com ideias e imagens que, de uma forma geral, procuram transmitir a mensagem de que estamos numa altura do ano dedicada à alegria e à celebração. A alegria em estar com as pessoas que mais amamos e que, tantas vezes, vivem longe, celebrando-se, por isso mesmo, os reencontros. A alegria em oferecer e em receber, prendas e amor, mas, acima de tudo, a presença de cada um de nós. As redes sociais inundam-se com fotos fofinhas e cheias de corações, luzes que brilham e beijos apaixonados. Todos fazem votos de um feliz natal, e sorriem. As expectativas de todos é que possamos sorrir também.

O problema surge quando, ao invés de alegria, sentimos tristeza. Tristeza pelas pessoas que se perderam e que não podem, por isso mesmo, estar presentes. Os lugares vazios na mesa aumentam com o passar dos anos e, por mais que se preencham com pratos de iguarias, estarão sempre vazios. Abre-se também o livro das memórias que, ao ser folheado, dá-nos conta de que o tempo passa e não volta mesmo atrás. Saudades… e a tristeza que sentimos quando olhamos à nossa volta e vimos sofrimento e miséria, pobreza, violência e tantas outras formas de violação dos direitos humanos. E questionamo-nos… como é possível estarmos preocupados com bolas, fitas, presentes e outras futilidades quando, em nosso redor, é isto?

Antes de mais, é importante clarificar que a tristeza é uma emoção tão válida como qualquer outra. Faz parte do ser humano, tal como a alegria, a raiva, o medo, a culpa ou a vergonha. E não há problema algum em experienciá-la, excepto quando assume uma intensidade e cronicidade que podem torna-se patológicas.

Por outro lado, se pensa que esta tristeza associada ao Natal e a outras épocas festivas é exclusivamente sua, desengane-se. Não está sozinho. É muito frequente e, quanto maior a pressão externa para que se sinta feliz e contente, mais a tristeza tende a aumentar.

Se o seu Natal está enfeitado de tristeza, há várias estratégias que podem ajudar. Vale a pena tentar, acredite.

Receita para um Natal menos triste:

#1 Mime-se. É isso mesmo, reserve umas horas ou dias para si e faça aquilo que mais gosta. Mesmo que seja a coisa mais fútil do mundo, isso não importa. Se sente prazer com isso, faça.

#2 Cuide do seu corpo. A alimentação, o sono e o exercício físico são os 3 pilares do bem-estar. Atenção ao que anda a comer e às horas de sono. E há quanto tempo não faz uma caminhada ou pratica o seu desporto favorito?

#3 Regule as expectativas. Não tem de sentir-se como os outros acham que deve sentir-se. Não há problema em sentir-se triste ou sozinho. Não tente fazer-de-conta apenas para corresponder ao que os outros esperam de si.

#4 Faça uma lista chamada “10 coisas boas na minha vida”. Será que está a olhar de uma forma selectiva para a sua vida, enfatizando apenas uma parte da mesma? Estará a ignorar ou a minimizar as coisas boas que existem na sua vida?

#5 Seja proactivo. Convide aquele amigo que não vê há séculos ou visite alguém de quem gosta e está longe. Na correria do dia-a-dia adiamos sistematicamente alguns encontros. Não adie mais. Hoje é o dia.

#6 Ajude alguém. Ser solidário aquece-nos por dentro. E nesta altura do ano faltam braços para ajudar em tantas situações. Seja com crianças, idosos, pessoas que vivem na rua ou animais, ajude. Seja de que forma for, ajude.

#7 Encontre vantagens nas desvantagens. Mesmo as coisas menos boas que nos acontecem têm algum tipo de vantagens. O que aprendemos com essas vivências? Em que medida nos ajudam a crescer e a amadurecer?

#8 Aprenda a relativizar. Isto que hoje parece tão mau… será assim tão mau? Existe alguma hipótese de estar a fazer uma tempestade num copo de água? Se sim, uma boa forma de aprender a relativizar é pensar no impacto que essa situação poderá ter na sua vida daqui a 5 ou 10 anos.

#9 Invente novas tradições. Se as velhas tradições já não lhe dizem nada, toca a inventar! Uma nova receita de culinária, um passeio diferente, uma viagem sozinho. Visite a sua vila ou cidade como se fosse um turista, de máquina fotográfica na mão. Já reparou em tudo aquilo que, habitualmente, não repara?

E #10… a última, mas a não menos importante. Olhe-se ao espelho e elogie-se a si mesmo. Isso mesmo, elogie-se. Haverá algo melhor do que gostarmos de nós próprios?