Uma vez traidor, traidor para sempre? A ciência tem notícias para si

Descobrir uma traição é capaz de ser dos momentos mais difíceis na vida de um casal. Pior do que isso só mesmo a angústia de não saber se vai acontecer de novo.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Numa relação de amor está implícito que os parceiros prometem ser fiéis e respeitar-se, na alegria e na tristeza, todos os dias das suas vidas (ou pelo menos enquanto estiverem juntos). Daí quererem tanto perdoar o outro se por acaso o apanham numa traição, «ai ele jura que foi só um deslize, de certeza que é a primeira e última vez que acontece».

Ou então não, a avaliar por uma pesquisa recente da Universidade de Denver, EUA, publicada no jornal académico The Archives of Sexual Behavior, que pela primeira vez considerou a traição cometida numa relação anterior como um fator de risco para se voltar a trair na seguinte.

Quem traiu o parceiro anteriormente é três vezes mais propenso a fazê-lo de novo.

Moral da história: aqueles que traíram anteriormente são três vezes mais propensos a voltarem a pôr o pé em ramo verde, por comparação com quem nunca traiu no primeiro enlace, revela Kayla Knopp, investigadora do Departamento de Psicologia e autora principal deste estudo inédito.

«Pode dar-se o caso de certos indivíduos persistirem em certos tipos de relações que tendam a criar contextos propícios à infidelidade do parceiro», supõe a especialista, após analisar 484 casais em duas relações românticas heterossexuais – acerca das quais todos tiveram de responder a questões sobre a sua própria (in)fidelidade e a do outro.

Ser traído pelo anterior parceiro duplica as hipóteses de ser enganado pelo seguinte.

A equipa apurou ainda que ser traído pelo anterior parceiro duplica as hipóteses de se ser enganado pelo seguinte, o que nos deixa com nova moral da história: da mesma forma que há traidores em série entre nós, existe também aquilo a que poderíamos chamar de vítimas em série, tal a queda que demonstram para serem apanhadas no olho do furacão.

«Algumas pessoas podem encarar estes comportamentos como sendo mais aceitáveis ou expetáveis depois de já terem passado por eles uma vez, razão por que se tornam mais tolerantes a sinais de uma eventual traição no futuro», explica Knopp.

E ninguém pense ser à prova de infidelidade, alerta a psicóloga Cláudia Morais, ciente de que até casais funcionais podem cair em tentação, uma vez que trair tem quase sempre menos a ver com sexo do que com a necessidade de se sentir vivo. «Algumas destas pessoas não só foram sempre leais, como esqueceram-se de si mesmas, dedicando-se à família.»

É bastante fácil ter um caso quando alguém se sente especial para outro.

É assim bastante fácil ceder a um affair quando alguém se sente especial para outro, desejado como há muito não sentia. «Vivo», resume a terapeuta, que escreveu O Amor e o Facebook (ed. Oficina do Livro) para explicar como a vida sentimental pode igualmente ser afetada pela tecnologia nos dias que correm, como se não bastasse tudo o resto.

«Com o Facebook a colocar-nos em linha direta com ex-namorados, ex-amantes, ex-paixonetas e amigos antigos, é uma via que facilita a aproximação a pessoas que nos dizem algo do ponto de vista afetivo», sublinha, lembrando porém que nem tudo funciona da mesma maneira para todos os casais.

Na dúvida, o melhor é ficar atento a estes sinais que lhe deixamos na fotogaleria, comuns à maioria dos casos de traição.