É por isto que não deve fazer xixi na piscina

Dias de calor pedem banhos de piscina. O problema é quando o cloro reage ao xixi que os banhistas fazem dentro de água…

Texto de Ana Pago | Fotografia da Shutterstock

É das melhores sensações de verão: o corpo a refrescar na piscina, submerso em ondulações azul-turquesa. A respiração melhor a cada braçada. A não ser que muita gente tenha esvaziado a bexiga na água antes de nos lançarmos de cabeça, avisa uma equipa de investigadores que aprofundou a reação química do cloro à urina, concluindo que daí resulta uma substância – tricloreto de nitrogénio ou tricloramina – associada à asma e outros problemas respiratórios.

Reação química entre o cloro e os componentes da urina geram subprodutos que irritam os olhos e as vias respiratórias superiores.

Segundo o estudo publicado no European Respiratory Journal, a tricloramina nasce então de um processo químico entre o cloro das piscinas e os componentes da urina (incluindo ácido úrico, amónia e creatinina), formando subprodutos que irritam os olhos e as vias respiratórias superiores – talvez os únicos efeitos muito pouco saudáveis da natação, considerada a atividade física mais completa.

Nadadores profissionais são os primeiros a assumir que esvaziam a bexiga na água em treinos mais exigentes.

E não, não pense que xixi na piscina é uma raridade: os próprios nadadores profissionais são os primeiros a assumir que o fazem naqueles treinos mais exigentes, que os forçam a passar muitas horas dentro de água. A começar por Michael Phelps, o atleta mais condecorado do mundo: «Acho que toda a gente urina na piscina. A clorina dá cabo dela, por isso não tem mal», justifica o detentor de 28 medalhas olímpicas.

Entre nadadores comuns, apenas 19 por cento admitem já terem urinado na piscina pelo menos uma vez na vida.

Como ele, muitos nadadores de ocasião cultivam o hábito de se aliviarem enquanto nadam, embora poucos admitam: apenas 19 por cento diz já o ter feito pelo menos uma vez na vida. Isto, apesar de os números comprovarem uma prática bem mais generalizada: análises levadas a cabo durante três semanas em duas piscinas do Canadá, uma das quais com 830 mil litros (um terço de uma piscina olímpica) e a outra com metade dessa capacidade, registaram qualquer coisa como 75 litros de urina na primeira e 30 litros na segunda.

Curiosamente, o odor forte a cloro que tendemos a associar a uma piscina desinfetada é, pelo contrário, o cheiro do tricloreto de nitrogénio. Pior: esse é um indicador manifesto de que a água transparente daquela piscina em particular (provavelmente o mais perto que muitos de nós irão estar dos fundos azuis das Maldivas) tem mais urina do que a que vamos querer imaginar. Na dúvida, há sempre a praia.