Viver bem até aos cem? A ciência diz-lhe como

Não saber quando morremos continua a ser um dos grandes mistérios da vida. No entanto, tudo indica que vamos viver mais do que os nossos avós.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de Shutterstock

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a esperança média de vida aumentou cinco anos desde 2000. Este foi o maior crescimento desde a década de 1960 e tem reflexos na maneira como encaramos a velhice.

Em Portugal, a esperança média de vida é de 80,8 anos (77,7 para os homens e 83,4 anos para as mulheres). O Japão lidera este índice nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) com 83,9 anos.

A verdade é que já não pensamos viver apenas até aos 67 (esperança média de vida em Portugal na década de 1970) e existem até exemplos de quem viva para lá dos 100. O recorde oficial (conhecido) pertence a Jeanne Calment, que morreu com 122 anos. No entanto, a ciência assegura-nos que ainda não chegámos ao ponto máximo da longevidade humana.

Esta pesquisa também assinala que quanto mais longa a esperança de vida, mais difícil se torna alcançá-la. Por isso, nem todos vamos ultrapassar a barreira dos três dígitos.

Um estudo da revista Science analisou a taxa de mortalidade ao longo da vida e identificou os maiores picos. Estes acontecem na infância, por volta dos trinta anos e, sobretudo, entre os 70 e os 80 anos. Depois dos 100, a curva da mortalidade já não aumenta e acaba por «fundir-se com o tempo», segundo Kenneth W. Wachter, demógrafo da Universidade de Califórnia e autor do estudo.

No entanto, não tenhamos ilusões. Esta pesquisa também assinala que quanto mais longa a esperança de vida, mais difícil se torna alcançá-la. Por isso, nem todos vamos ultrapassar a barreira dos três dígitos.

«Apesar do progresso científico na alimentação e saúde, a sociedade moderna tende a viver no limite do seu esforço»

Por outro lado, um segundo estudo, publicado na revista Frontiers of Physiology, que reuniu dados dos últimos 120 anos, defende que o nosso rendimento físico tem diminuído. As mudanças ambientais e os hábitos profissionais têm muito a ver com isso.

«Apesar do progresso científico na alimentação e saúde, a sociedade moderna tende a viver no limite do seu esforço», diz Jean-François Toussaint, professor da Universidade de Paris Descartes. Dá que pensar, não?

Por isso, é importante que tenhamos consciência dos cuidados a ter com a saúde física e mental para que viver com melhor qualidade e – quem sabe – por mais tempo (veja a galeria).