O verão é das crianças

No verão de 1939, um grupo de crianças embarcava na aventura do ano – quinze dias na Colónia de Férias do Diário de Notícias na Quinta da Fonteireira, em Belas.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia Shutterstock

Existem rituais que sobrevivem à mudança dos tempos e aproveitar os dias de verão são um deles. Se em 2018 sonhamos com praia até à noite, em 1939 não seria muito diferente, pelo menos para os mais novos.

A vida era outra, as famílias, a não ser as mais abastadas, não passavam férias regularmente como hoje. Portugal vivia sob a ditadura de Salazar desde 1926 e os ventos de guerra já se sentiam. Mas nada disto importava a este grupo nos próximos 15 dias de agosto.

Segundo a Pordata, existem cerca de trinta centros de férias para os miúdos hoje

Quem já frequentou colónias de férias em criança ou adolescente sabe que são memórias que ficam para a vida. A partilha e as regras de convivência são ensinadas nas pequenas (enormes?) rotinas diárias. Dividir quarto e tarefas, cumprir horários, respeitar o outro são aprendizagens que se conjugam com a brincadeira constante.

Os laços de amizade são tão fortes como a intensidade dos dias vividos em pleno e as colónias de férias parecem durar muito mais do que aquelas duas semanas. Segundo a Pordata, existem cerca de trinta centros de férias para os miúdos.

Portugal já não vive em ditadura há 44 anos, a Segunda Guerra Mundial é uma memória infame do século passado, mas os pequenos continuam a ir a banhos. Há coisas que – felizmente – não precisam de mudar.