Virgens e pessoas com poucos parceiros são mais felizes no casamento, diz a ciência

Lá se vai a ideia de que quantos mais, melhor, ou a de que a experiência é a nossa maior aliada. Um bom casamento tem muito que se lhe diga – e não é nenhuma destas coisas.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

A paixão, quando ataca, não dá grande margem para dúvidas. É mergulhar de cabeça. Para quê esperar se estavam destinados a ficar juntos? E se por algum motivo a relação não resulta, então o próximo é que vai ser, para quê esperar de novo? De certeza que assim estaremos mais perto de ficar com a pessoa certa, num bom casamento, felizes os dois…

Ou não, avisa o sociólogo Nicholas Wolfinger, da Universidade de Utah, EUA, apoiado numa pesquisa em que concluiu que os americanos que só tiveram sexo com as respetivas se mostram «muito mais felizes» no casamento do que os outros com um passado mais libertino.

Mulheres com um só parceiro antes do atual são menos propensas a divorciarem-se.

«A minha análise de dados explorou a forma como o historial de sexo dos casais afeta a felicidade marital e, de um modo geral, 64 por cento dos inquiridos reportam casamentos muito felizes. Isto contra apenas três por cento que confessam não o ser, o que dá um balanço deveras positivo», adianta o investigador norte-americano, surpreendido com os seus próprios resultados divulgados pelo Instituto para os Estudos das Famílias.

Num outro estudo, o sociólogo americano descobriu ainda que mulheres com um só parceiro antes do atual eram menos propensas a divorciarem-se quando comparadas com outras que tiveram dez e mais companheiros até assentarem.

Essas e as virgens, acrescenta Wolfinger. Se em 2010 não ultrapassavam a módica quantia de cinco por cento, também eram elas quem detinha a mais baixa taxa de divórcio num prazo de cinco anos: seis por cento, por comparação com os 20 por cento da maioria da população.

Não ter termo de comparação pode ser bom para os casamentos, sugere a sexóloga Cristina Mira Santos.

«É caso para dizer que menos experiência sexual pode ser boa para o casamento. Ou pelo menos o facto de não haver termo de comparação», explica a psicóloga e sexóloga Cristina Mira Santos, cuja experiência em consultório lhe mostra que a vida corre bem aos casais que começaram a vida juntos e não tiveram mais nenhum parceiro – embora, regra geral, com níveis de prazer mornos.

«Não quer dizer que seja com todos: há pessoas que se informam e veem pornografia de qualidade (também existe) e experimentam, pelo que acabam por crescer em conjunto e assegurar casamentos longos e satisfatórios», observa a especialista, convicta de que o êxito das relações depende fundamentalmente da maturidade do casal, mais que do número de parceiros com quem se esteve antes.

E o que define um mau casamento, por oposição aos casamentos felizes de que fala Nicholas Wolfinger? «Acima de tudo, é uma relação que não acrescenta ligações afetivas significativas e seguras», esclarece a psicóloga e terapeuta familiar Cláudia Morais, para quem a base de uma relação amorosa é a certeza de termos ao nosso lado alguém que se importa.

O êxito das relações depende fundamentalmente da maturidade do casal.

«Alguém que se preocupa genuinamente connosco, com o que nós sentimos e nos faz felizes», sublinha a autora de Os 25 Hábitos dos Casais Felizes (ed. Manuscrito, 2015) e Sobreviver à Crise Conjugal (Oficina do Livro, 2004). Cada um de nós parte para qualquer relação amorosa com um conjunto de expetativas e o casamento, por maioria de razões, não é exceção. «Não se trata de baixar a fasquia, pelo contrário», ressalva a psicóloga.

Trata-se de aprender a reconhecer os nossos próprios sentimentos e necessidades afetivas. Aquilo que achamos que nos fará felizes, de facto, concorda a sexóloga Cristina Mira Santos.

«Se um ou ambos os parceiros valorizarem o casamento como a forma mais elevada de compromisso, é natural que queiram “guardar-se” para o outro e continuem a ser mais dedicados do que a média já depois de casados.»

Namorar 30 pessoas não faz ninguém crescer, mas quatro ou cinco podem ajudar a crescer.

Ainda assim, defende, é boa ideia os jovens saborearem algumas relações. Passarem por outras experiências que lhes permitam detetar padrões de comportamento. Conhecerem personalidades diferentes. Muito melhor do que acharem que o primeiro namorado é para sempre e ficarem presos a vínculos infantis, que os fazem sofrer por desconhecerem que há mais vida além daquela.

«Namorar 30 pessoas não faz ninguém crescer, mas quatro ou cinco podem ajudar a conhecermo-nos e a aprender a comunicar com o outro», traduz Cristina Mira Santos. Se no final ter muitos ou poucos parceiros significa que a relação vai durar? «Não, claro!» Essa é daquelas missões que nunca acabam, diz. Mas podemos sempre tentar.

Já agora, atreva-se a investir em brincadeiras como as que lhe sugerimos na fotogaleria para dar gás à sua vida a dois. Deixar a relação morrer na praia é a última coisa de que precisa.